Tirando o pó: O crowdfunding que salvou uma editora

Hoje, dia 4 de dezembro, temos as últimas horas para ajudar uma das editoras mais legais de quadrinhos a continuar suas atividades: a americana Fantagraphics. A bem da verdade, a quantia estabelecida já foi atingida, mas as contribuições no site Kickstarter ainda estão abertas até dia 5, com uma série de prêmios de acordo com o valor doado.

Mas vamos aos fatos: a editora resolveu entrar no site de financiamento coletivo pois corria o risco de fechar suas portas. O ano de 2013 foi complicado para as finanças da empresa, principalmente porque um de seus co-fundadores, Kim Thompson, faleceu de câncer no meio do ano. Thompson era responsável pela edição e tradução da coleção de álbuns europeus e com a sua doença, a produção dos livros atrasou e, por fim, acabou não saindo. A solução encontrada por seu sócio, Gary Groth, foi fazer um apelo aos fãs de quadrinhos para ajudar que a coleção de 2014 seja publicada e coloque as contas da editora de volta aos eixos.

Com a quantia arrecadada, a editora promete lançar 39 livros: edições comemorativas, coletâneas de novos artistas, quadrinistas underground e independentes, álbuns europeus e mais um monte de coisas que faz, na nossa opinião, uma das editoras com mais variedade de estilos do gênero. E já nos primeiros dias, o valor (U$ 150 mil) já estava praticamente levantado. E o que esses números podem nos dizer?


No início deste ano o Kalebe fez um texto falando como os financiamentos coletivos (ou crowdfunding) estavam cada vez mais populares no país e mostrava o exemplo de alguns artistas que começaram a optar por essa forma de publicar o seu trabalho (leia o texto aqui). Atualizando esses dados e ampliando essa conversa, o site do Paulo Ramos fez um levantamento de autopublicações lançadas na FIQ deste ano (que aconteceu em novembro em Belo Horizonte). Contabilizou 136 lançamentos independentes, quando na edição anterior, há dois anos, o número não chegava a 50 publicações. Não se pode afirmar que todos foram financiados por crowdfunding, mas podemos inferir que uma boa fatia venha dessa possibilidade de arrecadação de dinheiro. Por mais que os dados sejam sobre o financiamento coletivo no Brasil, é possível ter uma medida de que a prática é bem sucedida.

Passemos, então, para o contexto americano: a Kickstarter fez ano passado um levantamento dos resultados obtidos e dos projetos que conseguiram apoio (aqui). E a Publishers Weekly considerou o Kickstarter como a segunda editora que mais publicou quadrinhos em 2012 (inclusive um dos projetos chegou à lista dos mais vendidos do New York Times). Não é pouca coisa: mais de 500 quadrinhos lançados.

O fato é que o crowdfunding se consolidou como uma solução para que os artistas consigam publicar as suas obras. Mas normalmente as quantias solicitadas são “baixas”, para cobrir os custo de impressão e mais algum detalhe da produção. O caso da Fantagraphics chamou atenção pela quantia requisitada* e a rapidez com que ela foi levantada. Todos ganham, é claro, mas isso mostra como o público de quadrinhos é fiel e disponível a ajudar esse tipo de prática.

Durante a campanha, mais artistas que foram publicados pela casa doaram originais para os apoiadores. Tem até Art Spielgman na lista. Vale a pena dar uma olhada!

Você pode ver a campanha de financiamento da Fantagraphics aqui. Abaixo, um vídeo em que Gary Groth, alguns quadrinistas e editores pedem a sua ajuda. Além disso, apresentam alguns quadrinhos que serão publicados com a ajuda do financiamento. Para quem não conhece a editoras, também vale a pena porque eles apresentam algumas das coisas que eles publicaram nesses anos (e muitas figuram nas nossas listas de desejo).

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* Já lemos que filmes e projetos muito maiores e com valores muito mais altos já foram bem sucedidos nesta plataforma. Mas estamos focando nos quadrinhos, que normalmente tem um valor de produção mais baixo.

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