[Drops] Achimpa – Catarina Sobral

achimpa
Acho uma maldade aqueles que dedicam suas vidas a criticar todo o tipo de premiação como algo fútil e sem nexo. Podemos até não concordar com os critérios de determinado prêmio, mas quando analisamos sempre temos alguma coisa a dizer sobre, seja defendendo ou criticando. Sou a favor de premiação, não que elas realmente elejam o melhor, mas são ótimas vitrines para se descobrir obras que dificilmente teriam chance em outros territórios. Falo isso pois descobri o livro da breve resenha de hoje como ganhador na categoria de melhor livro infanto-juvenil do Spa. O que? Clínica de reeducação alimentar tem prêmio? Não… é o prêmio da Sociedade Portuguesa de Autores. Um prêmio não muito conhecido em nossas Terras Tupiniquins mas é o equivalente ao Jabuti em Terras Lusitanas. Como este resenhador está sempre a procura de novas coisas, foi uma alegria encontrar tão belo título… que aliás. O que significa?

Foi essa a questão que me levou ao livro, fruto de uma nova editora portuguesa Orfeu Mini, uma amiga minha que não gostou tanto da história me desafiou a entender, e considerando que ela nunca lê o blog eu posso zoa-la. Haha. Só que não… é minha principal interlocutora no quesito infantil, depois da Luani, e o fato de ela não ter se identificado era um mistério a mais para mim. Então ao ler a história tive que concordar que vivo discordando de minha amiga. É uma obra-prima da literatura infantil e é um projeto que poderia ser facilmente transportado para o mercado nacional, mas considerando que desprezamos muita coisa que é feita na terrinha, por enquanto ficaremos somente com essa bela edição portuguesa em capa dura, pela Orfeu Mini. E o fato dela não ter gostado e eu sim, é daqueles detalhes pessoais que podem ser fator decisivo também para seu gosto caro leitor. Ela não gosta de histórias esquisitas e eu sim.

E a história de Achimpa é esquisita. Uma vez que a palavra é descoberta do nada por um historiador e causa muitas desordens no âmbito linguístico para se exemplificar o que ela realmente significa. Ou seja, ele acaba sendo um projeto totalmente pautado em uma palavra que não existe.

Estranho… nem tanto, pois quando analisamos friamente o que a autora quer fazer não é introduzir uma nova palavra no dicionário português e sim, primeiramente, explicar as classes gramaticais de nossa língua, uma vez que cada personagem que entra na história para explicar o que a palavra significa dá uma nova interpretação sobre a mesma. Ela começa como Verbo, evolui para adjetivo, advérbio, substantivo até que alguém descobre de uma maneira bem inusitada, a verdadeira classe da palavra… mas isso seria um spoiler. Em âmbito ainda mais profundo, podemos ver na escrita de Catarina, uma crítica a esse culto do conhecimento, onde um tenta ser mais inteligente que o outro diante de um problema que às vezes é insolúvel. A divulgação de falso conhecimento também é um dos pilares do livro e se você acha que um livro que cria uma palavra para ensinar classes gramaticais pode ser chato (e realmente parece) é nesse jogo de aparências dos personagens aquele fica realmente engraçado e divertido.

Achimpa é uma pequena joinha que nossos irmãos portugueses produziram, mas especificamente Catarina Sobral, e poderia ser muito bem utilizado como paradidático nos 3 anos do fundamental, pois é mais divertido que qualquer gramática. Com certeza, meu cosplay de Luani, não ficou nem perto de uma análise, mas a descoberta desse livro me lembra o quanto a literatura infantil pode ser surpreendente e divertida. Vale muito a leitura. No mais fiquem com o book trailer que traz um pouco da arte da autora/ilustradora portuguesa.

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Achimpa
Texto e ilustração: Catarina Sobral
Editora: Orfeu Mini (selo da portuguesa Orfeu Negro)
40 pgs

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