SEM TITULO

Ah, a criatividade…

Cabeça de criança é coisinha de doido. Passa de tudo, ao mesmo tempo. Ela esta ao mesmo tempo no Polo Sul e no Polo Norte. Mistura o Sertão com os Pampas. Uma beleza, literalmente! Criança de tão simples é complexo, seu raciocinio é totalmente instintivo, porque ainda esta a aprender os mecanismos convencionais da nossa cultura e lingua. 

E porque este livro me fez escrever uma introdução assim? Bem, Hervé não é mesmo o autor dos livros tradicionais. Um bom exemplo é o livro deste genial francês que a Ed. Ática publicou, o Aperte Aqui, já resenhado neste blog por mim, inclusive rs (leia aqui a resenha!). Ele tem uma coleção fantástica pela Phaidon, com livros instigantes, que pedem do leitor uma postura ativa, caso contrário a história ou a experiência, não acontece. Dinâmicos, divertidos, adoráveis. Sacode o corpinho ai, baby! Rebole junto com o livro! Veja:


(pretendo ainda, um dia, resenhar essa coleção todinha! tenham paciência rs)

Ele explora a materialidade do livro. Reinventa o objeto, desconstrói para construir. Afinal, onde está escrito que livro tem que ser apenas de um jeito? Principalmente quando se trata de crianças pequenas, que precisam do estímulo. Ele faz do corpo da criança um extensor do livro, capaz de criar a narrativa ao inves de apenas segui-la com os olhos. Lógico que não estou desmerecendo os livros mais tradicionais, cada qual tem sua função no processo de aprendizado. Aliás, o último livro dele publicado por aqui, estruturalmente, já segue a linha do mais tradicional. Publicado pela Cia da Letrinhas, não deixa a desejar. Não não. SEM TÍTULO é divertido, e não poderia ter um titulo melhor.


A história é uma não-história, ou melhor, uma pré-história. Como assim? Enquanto nos outros titulos Hervé brinca de desconstruir o livro quanto objeto, aqui ele quer desconstruir o processo de criação do texto. E assim o livro começa sem os personagens saberem. Não é genial? Ao longo do livro você bate um papo com a princesa, o porquinho, o cachorro, o homem-rabisco. O leitor se diverte com as trapalhadas dos inacabados personagens tentando entretê-lo, já que o autor ainda não concluiu o livro.

O livro é uma gostosa conversa de criança. Aparecem personagens do nada, fazem coisas meio nonsense a primeira vista. E a ilustração reforça essa sensação. Rabiscos, tintas, linhas e muitas linhas descompromissadas dando um passeio pela páginas, dando as mãos para splashes de tinta apressadinhos. É a mente criativa de Hervé!

Atééééé que o autor resolve participar (ajudar). E a coisa se organiza com a participação de um adulto. Os desenhos são finalizados e uma história começo-meio-fim, enfim, acontece. Coraçõezinhos de felicidade com a simplicidade e graciosidade do livro como um todo! Nada convencional, este livro é igual cabeça de criança, de tão simples é complexo.

Vale a apena conferir! Eu, particularmente, adoro a bagunça dos personagens, e você?

😉

2 comentários em “SEM TITULO

  1. Acho que já disse por aqui que tenho paixão por livros infantis, e quanto mais criativo o livro é, mais ele brilha aos meus olhos. Adorei a premissa de Sem Título, essa coisa com cara de “making of”, com rabiscos e a presença do nonsense. Quero muito ver com meus próprios olhos (e com as mãos, claro!).

    Um beijo, Livro Lab

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