[Achados do sebo] Raridades, dicas e muita sorte

Por: Michelle Henriques
A Ju me pediu para escrever um texto contando um pouco dos meus achados de sebo, então vamos lá.

Eu comecei a ler com certa regularidade quando eu tinha uns 11 anos. Eu me virava bem com os livros que a escola passava e com a estante dos meus pais. Alguns anos depois, veio a vontade de conhecer novos autores. Ainda sem renda e com orçamento apertado em casa, minha mãe me levou num sebo do bairro. E ali eu descobri um mundo lindo e barato. Assim comecei a minha coleção, com livros de terror, principalmente. 

Até pouco tempo, havia um sebo muito bacana numa galeriazinha na Augusta (rua aqui de São Paulo conhecida pelos puteiros, bares, baladas e comércio, tudo misturado). Certo dia, fuçando as estantes, encontrei esse Mutações da Liv Ullmann, atriz que ficou bastante famosa por protagonizar alguns filmes do meu diretor preferido, Ingmar Bergman. Eu não sabia que ela havia escrito um livro e foi uma surpresa incrível. Algum tempo depois encontrei nesse mesmo sebo esse de entrevistas com o próprio Bergman, além de roteiros e mais um da Liv Ullmann. 

Ano passado eu decidi que precisava ler mais clássicos. Tenho alguns em casa, mas estava curiosa com outros tantos, então começaram as visitas aos sebos, com mais frequência do que o normal. Em minhas buscas, encontrei essa edição de Filhos e Amantes do D.H. Lawrence, da coleção de clássicos da Ediouro. Desde então me apaixonei por essas edições lindas. Creio que eu seja a única pessoa que realmente gosta delas. Meus amigos dizem que são cafonas, bregas e mal diagramadas. Mas quem disse que eu me importo? São lindas e eu quero todas!


Também no ano passado uma amiga me indicou o site Better World Books, que é uma espécie de Estante Virtual gringo. Ele é ótimo, pois não cobra frete para o mundo inteiro, só precisa ter cartão internacional. Essas foram duas das minhas compras preferidas. A autobiografia do Bergman saiu por menos de R$20 (a edição brasileira que saiu pela Cosac Naify beira os R$90) e Prozac Nation que deu origem a filme de mesmo nome com a Christina Ricci no papel principal. 


Tenho um carinho especial pelo Prozac Nation, pois ele veio de uma biblioteca no Tennessee. Ele está cheio de carimbos e na página final ainda tem o espaço onde era colocado o cartão de empréstimo. Adoro livros com histórias.


Ana Karênina talvez tenha sido a melhor compra que eu fiz na vida, em se tratando de sebos. Foi o primeiro clássico que eu peguei para ler depois de anos lendo só contemporâneos. Achei que fosse um desafio, mas foi muito melhor do eu esperava. No fim das contas, foi o melhor livro que eu já li na minha vida, até o momento. 

O mais engraçado foi que ao começar a ler o livro encontrei um trevinho de quatro folhas. Mais adiante encontrei outro e outro. 


A pessoa estava usando o livro para secar trevinhos. Segundo esse bilhetinho, ela começou em 1991 e esse livro veio para minha casa em 2012.


Gosto muito de comprar livros em sebos, de saber que eles passaram pelas mãos de outras pessoas. Talvez eles tenham sido os livros da vida de algumas pessoas, talvez tenham ajudado em momentos difíceis. Sem contar as dedicatórias. Ainda não dei sorte de comprar livros com dedicatórias elaboradas. Quem sabe um dia…

Michelle Henriques, 26 anos, louca dos gatos e dos livros. Vive em São Paulo e reclama todos os dias dos preços nos cinemas. Vive de obsessões, a atual é David Foster Wallace. Escreve no blog …in a handful of dust.

PS – A Michelle fez recentemente em seu blog um post sobre os sebos de São Paulo que ela costuma visitar, com várias dicas bacanas.

5 comentários em “[Achados do sebo] Raridades, dicas e muita sorte

  1. ah que delícia Mih! Nossa eu definitivamente preciso frequentar mais sebos, apesar de ser uma compradora compulsiva de livros, poucos são aqueles que foram comprados em sebos, não por maiores questões mas, apenas por puro desleixo e não ir ao centro para fazer uma visitinha, vou ver se ano que vem faço disso uma meta, visitar mais sebos! bjos

  2. Os sebos são maravilhas, ainda mais quando bem cuidados…
    Tenho a mesma edição de Ana Karenina da Michelle, e foi nela que o li pela primeira vez e ele tb passou a ser o melhor clássico da minha vida, ao menos ate agora!!
    MiH, adorei seu texto, bem conversinha ao pé do ouvido!!!
    Ju, adorei a parceria sensual!!! ♥

    Xerinhos

  3. Que lindo a história de seu exemplar de Ana Karênina *.*
    A edição de Mutações que comprei, por que vi na sua estante do skoob, também é essa… Estava com cheiro de mofo mas após ficar tomando sol está o.k, agora só preciso lê-lo mesmo.
    Ah, eu acho bonita as capas dessa coleção da Ediouro, mas nunca as vi 'pessoalmente' :

    Adorei o post ;D

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