Alice Munro, Vencedora do Nobel de Literatura 2013


Na última quinta feira, dia 10, foi anunciado o novo nome do vencedor do Nobel de Literatura, ou melhor nesse caso, a grande vencedora. A canadense de 82 anos, Alice Munro, 13ª mulher a receber o prêmio máximo da literatura.

A Academia Sueca, ao conceder o prêmio, fez menção a obra da autora com mais 13 coletâneas de contos e a definiu como uma mestre do conto contemporâneo.

Peter Englund, secretário permanente da Academia Sueca, destacou em um comunicado: “Suas histórias se desenvolvem geralmente em cidades pequenas, onde a luta por uma existência decente gera muitas vezes relações tensas e conflitos morais, ancorados nas diferenças geracionais ou de projetos de vida contraditórios” (tradução do jornal O Globo).

Uma curiosidade sobre a premiação: representantes da instituição tentaram entrar em contato com a autora 30 minutos antes do anúncio e não conseguiram contato e deixaram um recado na secretária eletrônica (a história parece tão absurda que ele disponibilizaram um áudio dessa gravação).

Alice Munro vive em Clinton, uma cidade de Ontário e ela estava visitando sua filha Victoria, em British Columbia, onde conseguiram falar com ela às 4 da manhã. Soando meio grogue e um pouco emocional, ela falou com a Canadian Broadcasting Corporation, alguns minutos mais tarde por telefone: “Estou surpresa e muito grata”, disse Munro. “Fico especialmente feliz pois vencer esse prêmio vai alegrar tantos canadenses. Também me alegra que isso vá atrair mais atenção para a literatura do Canadá.”

Alice é conhecida por ser avessa a publicidade e não concede tantas entrevistas assim, e já fazem alguns anos que ela anunciou sua aposentadoria. A primeira vez foi em 2007 após publicar o livro The View of Castle Rock, e agora em 2012, após publicar Dear life, ela disse que vai parar de escrever para se dedicar à família e ter uma rotina “normal”.


Em 2009 ela revelou ter sido submetida a uma cirurgia para colocação de um marcapasso, além de ter passado por um tratamento contra o câncer e em abril deste ano, teve que lidar com a morte do seu segundo marido, Gerald Fremlim.

Frequentemente comparada ao grande escritor russo Anton Tchekov, Munro nunca chegou a escrever um romance e parece não se preocupar com isso. Em uma entrevista a New Yorker ela disse: “Durante anos e anos eu pensei que minhas histórias eram apenas tentativas de escrever o grande romance, mas descobri que minha escrita são mesmo as narrativas breves”.

Ao ser anunciada o nome de Alice Munro, vários autores declararam apoio a escritora, como Margaret Atwood , Nathan Englander e Salman Rushdie que escreveu “Uma verdadeira mestre da forma”. Outro grande admirador de sua escrita é Jonathan Franzen, que em um ensaio sobre a escritora, disse: “[Munro] não é uma golfista treinando uma tacada. Ela é uma ginasta de collant preto, sozinha no chão liso, superando todos os romancistas com seus trajes chamativos, chicotes, elefantes e tigres.” (Trecho traduzino no blog da Companhia das Letras).

A autora que já teve o trabalho reconhecido por prêmios como o National Book Critics Circle com a obra Hateship, Friendship, Courtship, Loveship, Marriage (aqui com o título: Ódio, amizade, namoro, amor, casamento) e já venceu três vezes o Governor General, maior honra literária do Canadá.

Alice já tem quatro livros publicados aqui no Brasil: O amor de uma boa mulher (o livro editado mais recente, de abril de 2013, originalmente publicado em 1998), Felicidade demais, Fugitiva (todos esses publicados pela Companhia das Letras) e Ódio, amizade, namoro, amor, casamento (Globo Livros). A Companhia das Letras prometeu para novembro o seu livro mais recente Dear life. A Globo Livros vai relançar o Ódio, amizade, namoro, amor e casamento ainda em dezembro e também anunciou que publicará a partir de 2014 as obras Runaway, The View of Castle Rock e Selected stories, todos pelo selo Biblioteca Azul.

Curiosidades e links
Alice Munro teve uma história adaptada para o cinema. O conto “The Bear Came Over the Mountain”,  foi adaptado por Sarah Polley com o título Away From Her (Longe dela). O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto, e foi indicado ao Oscar de roteiro adaptado, mas acabou perdendo o prêmio para No Country for Old Men (Onde os Fracos não tem vez).

O site The Millions fez um guia curioso para quem quer começar a ler a obra de Alice Munro. A Beginner’s Guide to Alice Munro” que faz recomendações a partir de algumas questões interessantes e é bem bacana: 

The Munro book to read if you’re only willing to read one: Selected Stories (Se você estiver disposto a ler apenas ‘O’ livro de Munro:  Selected Stories);
Best story, in the category of autobiographical-seeming stories about love: Bardon Bus, which contains some of the most convincingly rendered emotional agony I’ve ever read. (Melhor história, na categoria de histórias autobiográficas de aparência sobre o amor:  Bardon Bus, que contém um pouco da agonia emocional mais convincente prestados que eu já li).

As 13 vencedoras do Nobel:

2013 – Alice Munro (Canadá)
2009 – Herta Müller (Alemanha)
2007 – Doris Lessing (Grã-Bretanha)
2004 – Elfriede Jelinek (Áustria)
1996 – Wislawa Szymborska (Polônia)
1993 – Toni Morrison (EUA)
1991 – Nadine Gordimer (África do Sul)
1966 – Nelly Sachs (Suécia)
1945 – Gabriela Mistral (Chile)
1938 – Pearl Buck (EUA)
1928 – Sigrid Undset (Noruega)
1926 – Grazia Deledda (Itália)
1909 – Selma Lagerlöf (Suécia)
O jornal Opção fez um texto interessante sobre a autora; 

Uma ótima mini-bio sobre a autora no Guardian

Quando Alice lançou seu último livro, Dear Life, concedeu uma (rara) entrevista para a New Yorker;

Trecho do novo romance Dear Life traduzido por Caetano Galindo para o jornal O Globo.

Um comentário em “Alice Munro, Vencedora do Nobel de Literatura 2013

  1. Quando soube que ela havia ganhado o Nobel pensei: Acho que já ouvi esse nome em algum lugar…
    Acho que ouvi mesmo, mas lendo a postagem percebi que não conhecia nada sobre Alice Munro, bom, acho que ainda tenho tempo para conhecer sua obra… (Nossa, quantos 'acho' nesse comentário!)
    E eu espero que mais escritoras ganhem o Nobel 🙂

    Beigos!

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