Frankfurt 2013 – O Ano do Brasil

(Menezes já está em Frankfurt a trabalho para acompanhar a Feira. Neste texto, ele nos conta suas expectativas e um pouco do que viu durante a preparação para a viagem)
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A maior feira de livros do Mundo começa nesta quarta-feira e pela 2ª vez o Brasil será o país homenageado, 19 anos após a primeira vez, na grandiosidade dos mais de 9 pavilhões que compõem a feira alemã. E para quem esteve 1994, provavelmente verá grandes diferenças no mercado brasileiro que se profissionalizou muito nesses últimos 20 anos.
Para quem não conhece, a Feira de Frankfurt, é o maior evento do gênero e reúne todas as caras que movem a máquina do livro, desde gráficas na China, Índia, Coreia, etc. passando por editoras gigantescas internacionais (Random House) até as independentes que imprimem 1 em edição limitada por ano, como a hispânica M. Moleiro. As pessoas vão à feira em busca de negócios novos, como impressão mais barata, venda e compra de direitos, e, nesse ano especificamente, ainda teremos uma outra questão importante que é o marketing para nosso país.
Muito poucos autores nacionais são publicados em inglês ou francês, e mesmo os mais famosos por vezes não tem a felicidade de ser lidos em outra língua que não seja o português, então nossa participação tenta ser marcante no quesito de marketing muito mais do que outros países em outras ocasiões. A única vez que pude presenciar o evento, em 2011, era a Islândia o país homenageado, mas nada tão enorme fora preparado para o evento. Nosso Ministério da Cultura começou a vida em Frankfurt em agosto, com a abertura de várias exposições de artistas plásticos como Hélio Oiticica, Lígia Braz etc. exibição de filmes, apresentações de capoeira e várias atrações que possivelmente pintaram a gélida cidade europeia de verde e amarelo.

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A abertura oficial ocorrerá na noite de terça com a abertura do pavilhão principal do Brasil com a ministra Marta Suplicy, e os autores Ana Maria Machado e Luiz Ruffato. Mas se o Ministério da Cultura acerta com uma programação variada da cultura brasileira, ele “erra” na falta de informação com relação a essa abertura. Ainda não sei o horário e como fazer para ver, pois investigando na internet descobri uma pequena nota solta no dia 18 de setembro, para quem quisesse cobrir o evento da abertura, as inscrições e abririam e fechariam (?!) no dia 20 de setembro… às 14h da tarde. Ou seja, bobeou dançou… não entrarei em detalhes opinativos dessa manobra, vamos ficar na feira. Felizmente o resto da Feira tem seus horários bem delimitados.
Há algumas coisas bem interessantes pela feira, que pretendo ver:
– O lançamento oficial da Penguin da coleção Clarice Lispector no Reino Unido. Muito bonita, diga-se de passagem;
– Uma estranha proliferação de chefs dando palestra sobre a culinária na festa. Isso em todos os dias, não estou falando em uma só mas de várias… creio que haja mais do que de literatura infantil, para alegria da Luani. Se você pode achar isso estranho, eu devo dizer que o setor que mais cresce no Brasil em termos comercias  são os livros de culinária, e isso pode servir de explicação;
– O lançamento do Bookscan brasileiro. Para quem não conhece, é uma grande rede de informações utilizando os dados de todas companhias do ramo no Brasil. Em dois cliques os usuários poderão saber quantos Ágapes venderam no dia, qual a posição do Brasil no mercado e etc. “Chaaaato…”, você pode pensar. Mas na verdade essa é uma ferramenta essencial para se medir a média de leitura e a rotatividade, e produzir dados bem legais. Pelo Beta (atual sistema utilizado), o Brasil já passou o Reino Unido em quantidade de vendas. Mas considerando o tamanho não fique tão feliz com isso;
– Muitas palestra sobre o e-books e as publicações digitais no Brasil, que é um dos futuros do mercado de livreiro; 
– E o carro chefe é estranhamente o lançamento de uma revista de literatura brasileira em inglês: Machado Magazine. O tanto de propaganda e os anos que se consumiram nesse projeto serão revelados na quinta-feira.
E todo dia no stand do Brasil haverá happy hour com caipirinha, o que eu acho bem justo.

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A programação paralela ficará ainda mais forte durante os dias da feira, chegando a ter quase o mesmo conteúdo cultural do lado de fora de exposições e se oficialmente o Centro de Exposições está recebendo tantos eventos em 5 dias de feira, deve-se ter mais ou menos 500 ao todo se olharmos o lado de fora também.
Muito foi falado essa semana sobre a Feira, do tratamento popstar que Paul Rabbit não recebeu e vai, com isso, boicotar o evento, além da questão étnica que o jornal alemão “estranhou” do nada. Mas isso são as intrigas que surgem em ocasião de qualquer evento. O Brasil como país sede tem que se preocupar em representar culturalmente nosso país aos olhares e pelo planejamento tem tudo para fazer isso na expectativa. Se vai fazer ou não, isso nós contamos depois…

(Sobre a experiência na feira de 2011, texto aqui)

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