Um menino e um patinho.

Lançamento gracioso! Este pequeno livro é uma divertida e inteligente experiência para os pequenos (ou não tão pequenos, como eu em meus 174cm…).

Marisol Misenta é autora e ilustradora deste livro. Mais conhecida por Isol,  é uma argentina nascida em 1972. De trabalho reconhecido, foi premiada em 2013 não por um de seus títulos isolados, mas por mérito do conjunto de sua obra, pelo renomado prêmio Astrid Lindgren.

O livro é cartonado, pequeno e quadrado. Confortavelmente acomodado em uma luva resistente, é facilmente manipulável por uma criança pequena, e pelo material, resistir com mais bravura à curiosidade dos mesmos.
A capa da luva não entrega o todo: encontrará apenas o patinho. E assim inicia-se a leitura do livro, com suas páginas em sanfona. A ordem natural conduz pela história de um menino que nos conta como é legal ter um patinho de borracha. E é muita opção tentadora para te convencer a ter um patinho de borracha também. rs. E quando você acha que a história chegou ao fim, percebe que no sentido contrário inicia a segunda parte, a do patinho descrevendo como é ter um menino! E neste ponto, faz todo sentido o livro ser sanfonado. Se fosse encadernação tradicional com lombada, ou a história seria revelada simultaneamente ou teria que ser na sequência. Mas você pode se perguntar, e não daria no mesmo? Sim e não.

De qualquer forma, inicialmente, o leitor terá contato com uma história e depois a outra. Porém, por ser sanfonado,  o livro possui  “as duas faces da mesma história” (uma poesia visual, aliás). A autora brinca com o frente e verso, repete as formas, mudando apenas o jogo de cor: para o menino que possui o patinho, o amarelo é a cor central; quando é o patinho que tem um menino, a cor predominante é o azul.  E falando do ponto de vista da cor, é muito resumitivo e representativo do senso comum: patinho de borracha é amarelo, menino é azul (embora essa questão de cor e gênero precise ser superada nessa fase da nossa sociedade).

Pode-se olhar as duas partes quase que simultaneamente e perceber como a mesma coisa pode ter dois pontos de vista distintos sem que um seja a negação do outro! É pensar o objeto livro para agregar valor à narrativa. Foi escolher uma encadernação em que a criança aprenda no objeto uma questão que é um conceito imaterial: da diversidade de pontos de vista a partir de um mesmo ponto. Um conceito primordial para o desenvolvimento de um cidadão, principalmente nos tempos da discussão da intolerância.

             

Simples, bem resolvido, delicado, bem humorado e inteligente. O livro reúne qualidades que merecem a sua atenção. Fora o custo-benefício, a editora surpreendeu no preço (afinal, não é todo dia que você encontra um livro cartonado, sanfonado e com luva pela Cosac por menos de 30 reais! eu me surpreendi, sério).

Mergulhe com o menino, mergulhe com o patinho. Seja qual for o seu percurso, você irá gostar. Divirta-se!

Ter um patinho é útil
Texto e ilustrações: Isol (Marisol Misenta)
Tradução: Emilio Fraia
Cosac Naify
32 pgs

Um comentário em “Um menino e um patinho.

  1. Sou ligeiramente suspeita para falar, pois sou apaixonada por livros infantis; apesar de não ser grande conhecedora do gênero, nunca consigo passar reto pela sessão infantil de uma livraria. Folheio, leio trechos, vejo “com as mãos” hehehe. E gostei bastante da forma como você nos apresentou esse livro do patinho (ou do menino). Não vi o livro pessoalmente, mas pelo que você disse, faz todo sentido essa característica de ser sanfonado, a interação da criança com a história. Permitir que uma mesma situação possa ser observada a partir de diferentes pontos de vista não só é fundamental no desenvolvimento de um cidadão, como também de um ser humano flexível e seguro de si, que saiba contornar adversidades e encontrar soluções criativas para os problemas da vida.

    Um beijo, Livro Lab

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