O Silêncio das Montanhas

Há 10 anos Khaled Hosseini emocionava pessoas pelo mundo com seu Cidade do Sol. Uma década é muito tempo para se publicar um livro novo (principalmente para mim, cujos autores preferidos publicam pelo menos um livro por ano…). O fato é que para escrever o que ele escreve é necessário um tempo maior para lapidar o texto.  Suas histórias são muito emocionais e se passam em grandes intervalos de tempo, são tristes na maior parte do tempo e carregam, (como não poderia deixar de ser, sendo ele afegão) do deixar para trás a família e o país. O tema do exilio é sempre um “leitmotiv” das suas tramas.

Nesse livro não poderia ser diferente. Logo no inicio temos uma fábula que conta a separação de uma criança de sua família, causada por um demônio e a busca desesperada que o pai faz desse filho desaparecido.
Esse é o destino dos irmãos Pari e Abdullah, protagonistas do livro. Em circunstâncias traumáticas eles são separados e nos próximos 60 anos a vida de cada um e dos personagens que fazem parte da vida deles são contadas no livro.
É uma saga, com esse leque de tempo existe uma profusão de personagens secundários que formam uma espécie de pano de fundo para a história desses irmãos. A princípio essa profusão de coadjuvantes parece coisa de novela da Gloria Perez, no decorrer do livro vemos que cada um deles, de alguma forma, é importante no desenvolvimento da vida Pari e Abdullah.
Além da quantidade de personagens “extras,” a história de desenvolve em várias cidades ao redor do mundo: saindo de Cabul e indo até Paris, de São Francisco à Grécia, a história também tem vários cenários.

Interessante também é ver as mudanças do mundo pela vida de Pari e Abdullah. Em 60 anos o mundo mudou, junto com os personagens. Mas o que nunca muda é a saudade e a vontade de reencontrar a família e em certo sentido a pátria, que existe dentro de todos os personagens.
Talvez o Silêncio das Montanhas seja a ausência das pessoas. O silêncio que fica quando as pessoas são obrigadas a se separarem e impedidas de manterem contatos umas com as outras. O silêncio que fica no lugar daquele familiar próximo e querido que está longe de nós. Silêncio de quem se vê obrigado a partir para o exílio e não tem mais ”voz” no próprio país.
É um livro muito bonito, muito delicado e, novamente, muito triste. Recomendo lencinhos de papel sempre à mão. E, se for  incomodo chorar em público, melhor deixar O Silêncio das Montanhas para se ler em casa.
O Silêncio das Montanhas
Autor: Khaled Housseini
Tradução: Claudio Carina
352pp

Editora Globo, 2013

2 comentários em “O Silêncio das Montanhas

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