The books of magic/ Os livros da magia

Há um tempinho, passeando por uma livraria, me deparei com The books of magic, um quadrinho de Neil Gaiman que eu não conhecia ainda (estava esgotado há um tempo e acaba de sair como Os livros de magia) e que trazia na capa um garoto de óculos, andando de skate e com uma coruja ao seu lado. Daí lembrei duma história que tinha lido há muito tempo sobre um livro de Gaiman que guardava certas semelhanças com o livro de um certo bruxinho célebre. Acontece que Harry Potter foi publicado em 1997 e The books of magic  em 1993. Depois de ler o (belíssimo) quadrinho… achei que a acusação pertinente? Sim e não…

Se procurarmos com um pouco de atenção (só um pouquinho), a história de Tim Hunter guarda algumas semelhanças com a de Potter. Mais nas premissas iniciais, para ser mais exata. Enquanto Tim anda em seu skate pelas ruas de Londres, um grupo de 4 “encapotados” discute sobre o potencial mágico do garoto. Um potencial gigantesco, que pode mudar o rumo de todo o mundo mágico. PAM!


Ao se apresentarem para um menino um tanto ressabiado pela interpelação de 4 marmanjo estranhos, um deles transforma o ioiô de Tim em uma coruja, a espertíssima Yo-Yo, que vai acompanhá-lo e pode salvá-lo da morte. PAM 2! Poderia citar alguns outros detalhes que se parecem bastante com a ideia de Potter, mas é nas diferenças que quero me concentrar. Me perdoem… Disse recentemente por aqui que adorei Harry Potter e que sua leitura mudou um pouco minha visão das coisas. Mas o universo mágico de Gaiman é MUITO mais legal e complexo!

O tal grupo é composto por Dr. Occult, Mister E., John Constantine (ele mesmo!) e um outro homem que não revela o seu nome e que é o mais poderoso deles.

Constantine, Dr. Occult, Mister E. e tio poderosão

E eles convidam Tim para uma caminhada para mostrar o mundo da magia para que, no final, ele escolha se quer seguir a magia ou a ciência. E cada um dos livros (que forma publicados em 4 partes) é uma viagem por algum aspecto deste mundo.

A primeira parada é ao passado. O “que não quer ser nomeado” leva Tim para mostrar os princípios da magia. Mostrando povos antigos e como a mágica era utilizada. Anjos caídos, protetores da ordem, mágicos que se perderam diante do poder que tinham, outros que fizeram coisas notáveis, povos que acabaram sucumbindo ao Caos. É nesse momento que ele vê uma ilha sendo destruída pela força das águas. E ao perguntar se este lugar era Atlântida, um sábio diz o seguinte (na minha tradução macarrônica): “[Atlântida] é apenas um símbolo. A verdadeira Atlântida está dentro de você, como está dentro de todos nós. A terra imersa está perdida no oceano escuro, perdido entre as ondas de histórias ‘negras’ e mitos, que quebram na costa de nossas mentes. Atlântida é a Terra Sombria, o local de nascimento da civilização. A terra justa do oeste que está  perdida para nós, mas que permanece como o nosso verdadeiro local de nascimento e objetivo”. E acho que (apesar da tradução horrenda) resume bastante a ideia do quadrinho.

A segunda parte é quando Constantine leva Tim a Los Angeles para mostrar como a atual “comunidade mágica” vive atualmente. Mesmo vivendo no mundo real, a vida daqueles que escolhem a magia (e não a ciência) é diferente. Há coisas que os humanos normais não conseguem ver. Parecida com a ideia dos “trouxas” de Harry Potter. Os personagens a quem Tim é apresentado são pessoas excêntricas, para o bem ou para o mal, menos a adorável Zatana, que parece tentar levar uma vida bem “humanamente normal”, apesar de ser uma feiticeira poderosa. Neste trecho Tim mostra o quão fácil alguém pode deixar-se corromper pela magia e pelo poder que ela acarreta. E também como alguns que optaram seguir o lado sombrio da arte querem a sua cabeça.

No terceiro livro, Dr. Occult leva Tim à Fairyland, o mundo mágico em si. E na verdade são diversos mundos. Em que podem ser bem traiçoeiros. É neste trecho em que as referências ao mundo mágico de Gaiman estão mais evidências. Muitas referências que ele já tinha usado em Sandman reaparecem para montar esse painel. Inclusive, há uma pequena participação do nosso querido Morpheus.

Já a quarta parte é com Mister E. passeando pelo futuro, mostrando a Tim possíveis consequências de sua escolha. Acho melhor não falar muito dessas partes finais do livro, pois são as mais complexas e revelar muita mais do que disse aqui pode estragar a leitura.

Não apenas a terceira parte é cheia das referências ao mundo de Gaiman. O livro todo é povoado disso. E mostra como ele tem domínio sobre esses mundos que ele criou e pelos quais ficou tão famoso.

Não podemos esquecer das ilustrações. Assim como em Sandman, cada um dos episódios (ou revistas, como foram originalmente publicadas) é feita por um artista. E a diferença de estilos, traços e técnicas não atrapalham em nada. Só nos fazem ficar mais abismados com aquilo que o nosso mestre Gaiman é capaz de nos contar.

Pode não ser a obra-prima de Gaiman. Mas é uma leitura deliciosa. Não é preciso ter lido Sandman antes. Achar as referências é divertido. Mas se não as encontrar, não atrapalha em nada a história.

The books of magic/ Os livros da magia
Texto: Neil Gaiman
Ilustrações: John Bolton, Scott Hampton, Charles Vess, Paulo Johnson
Vertigo (no Brasil: Panini)
200 pg

3 comentários em “The books of magic/ Os livros da magia

  1. Todos os 4 personagens místicos são da DC Comics. Aquele que não quer revelar seu nome é o Phantom Stranger, conhecido no Brasil como Vingador Fantasma.
    Juliana, parabéns pelo blog e pelos 3 anos de atividades!

  2. Olá,
    Opa! Brigada pela dica!
    Imaginei mesmo que tinha deixado muita referência passar por não conhecer mesmo.
    Mas certeza que vou atrás de histórias com esses outros personagens!
    bjsss

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *