Tirando o pó: Top 5 livros de “pais e filhos”

Por: Rafael Kalebe
Sempre que chegamos nessas datas ‘comemorativas’, pensamos em textos que tenham a ver com o tema, mas sempre fugindo um pouco do padrão. A ideia de livros que abordam a relação entre pais e filhos  foi primeiramente pensada como um vídeo, mas como sempre o texto veio antes. E seria impossível falar sobre uma relação tão complexa e ampla, por isso escolhi livros que se esforçam pra chegar o mais próximo possível de entender o verdadeiro significado de ser pai. 



1 – A Ausência que seremos – Hector Abade
Um dos livros mais emocionantes que eu já li. O próprio autor, descreve o livro como uma Carta ao Pai (livro de Kafka) às avessas, um relato sobre a admiração e o amor de um filho pelo seu pai.
Passando pelos momentos mais simples da criação de Hector (filho) em meio a cinco irmãs e outras mulheres que moravam na casa, o amadurecimento e mesmo a vida adulta. 


Hector narra a história do pai numa luta por um lugar melhor, ao mesmo tempo que mostra um pouco da realidade precária da Colômbia. Hector Pai era um médico sanitarista e professor que sempre tentou melhorar a vida das pessoas ao redor, que começou a ganhar respeito cada vez maior e ao mesmo tempo incomodou pessoas envolvidos com o cartel  de drogas, que infelizmente sempre esteve presente na realidade colombiana. 

Mesmo sabendo que Hector pai foi assassinado, passamos boa parte do tempo torcendo para que isso não acontecesse. Impossível calcular a dor de Hector filho, diante de um pai tão amoroso. Livro emocionante.



2 – A invenção da Solidão – Paul Auster (a 1ª metade do livro)
O primeiro livro de Paul Auster é uma experiência diferente. Foi meu primeiro livro do autor e uma boa forma de começar a ler a obra de Auster. O livro é dividido em 2 partes que se conectam. A primeira metade (“Retrato de um homem invisível”) está entre os textos mais poéticos que já li. 

Depois da morte do pai, Auster tenta entender quem ele foi, um homem frio e distante, mas que sempre foi um mistério que ele nunca entendeu. O processo da descoberta dos arquivos e a própria investigação que Auster faz é um daqueles momentos de autodescoberta, que olhamos para o nosso próprio passado e tentamos entender o que foi a nossa vida. 

Livro que vale a pena conhecer.

3 – Patrimônio – Philip Roth
Em vários livros temos um relato da infância do próprio Roth em Newark. Em alguns desses relatos ‘ficcionais’ temos sempre a versão do pai de Philip, Herman Roth, homem trabalhador, honesto, ligado às raízes judaicas e sempre muito forte fisicamente. Ainda que essa versão dos livros seja ficção, difícil não pensar nela como real. 

E em Patrimônio vemos uma especie de relato dos últimos momentos do pai, em sua total decadência. É um choque para Philip, perceber a forma como a saúde de seu pai ir se deteriorando, e a partir disso ele ver como a relação entre eles muda aos poucos. 

Um relato brutal e emocionante. 

4 – Filho de Mil Homens – Valter Hugo Mãe
Valter Hugo Mãe confessou que esse livro nasceu a partir de um questionamento que o próprio autor teve quando chegou aos 40 anos: A necessidade de ter um filho. E em seu livro o personagem principal, Crisóstomo, chega a essa idade e surge essa necessidade de ter um filho. Mas ele acredita que esse filho vai vir pra ele. Simples assim. A partir disso vamos ver a construção de uma família totalmente disfuncional e improvável. Mas ao mesmo tempo Valter nos apresenta a pessoas que buscam uma segunda chance. E é impossível não se emocionar. Valter Hugo Mãe tem uma sensibilidade que poucos autores tem. Leiam e se emocionem.

5 – O Filho Eterno – Cristovão Tezza
Um dos mais premiados livros nacionais dos últimos tempos. Com Filho Eterno, Cristovão Tezza ganhou o Jabuti de melhor romance e o Prêmio São Paulo de Literatura. O Filho Eterno narra a história de um homem que em um momento de crise com a mulher e profissionalmente (ele é professor), nasce o seu filho Felipe. 

Tudo parecia perfeito, até o momento em que ele descobre que o filho nasceu com Síndrome de Down. Como lidar com isso? Mesmo que o livro seja ficção como o próprio Tezza afirma, impossível não pensar nos dados autobiográficos da obra/vida do autor. Emocionante o relacionamento de ambos com o futebol. 

Livro muito forte, intenso e para quem tem o estômago forte. Mas ainda assim é espetacular.

Feliz dia dos pais.

3 comentários em “Tirando o pó: Top 5 livros de “pais e filhos”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *