Dos livros que não li

Numa semana em que J.K. Rowling e Melville (e a Allende, descubro depois) fazem aniversário, comemoramos 3 anos de blog. Se procurarmos bem, é capaz de encontrarmos um milhão de outras efemérides para fazer referência. Mas ficarei com o bruxinho e a baleia. Ou uma série (hoje em dia clássica) que quase não li e um clássico que não li e não tenho lá muita vontade de reparar esse “erro”… Mas vamos por partes.

O que nos move a ler determinado livro? Fico pensando nisso porque é curioso como determinadas coisas caem nas nossas mãos e podem mudar tanta coisa. Como numa madrugada tediosa em que passava as férias com minha vó e tia e fuçava na prateleira de livros da minha tia. Então topei com Olga, de Fernando Morais. A frase da capa me instigou: “A vida de Olga Benario Prestes, judia comunista entregue a Hitler pelo governo de Vargas”. Tinha 14 anos, sabia muito pouco sobre 2ª Guerra Mundial e de repente esse livro muda tudo. Não consigo precisar o quanto as coisas mudaram a partir daí. O fato é que esse foi o estopim para minha obsessão por 2ª Guerra Mundial/Holocausto. E por muito tempo li só sobre isso. Até que chega Harry Potter

Cresci numa casa com uma quantidade bacana de livros. Mas quase nenhum era infantil. Tinha, não posso esquecer, a coleção querida do Sítio do Pica Pau Amarelo, mas além disso, alguns paradidáticos do meu irmão e muitos, mais muitos livros de referências (e as queridas enciclopédias). Logo, não sabia muito bem o que eram livros juvenis… Nunca tive contato com isso. Me apaixonei pela leitura pela segunda vez com a não-ficção e de repente, aos 15 ou 16 anos, minha irmã mais nova aparece com um livro sobre um bruxinho… Olhei por muito tempo com desdém… Afinal, estava lendo coisas “sérias”. Mas resolvi dar uma olhadinha melhor e… mais um mundo se abriu.

Minha trajetória de leitura a partir seguiu seus rumos. Sempre mais e mais apaixonada pela não-ficção e suas histórias grandiosas, tentando emendar alguma coisa de ficção, coisa que só consegui levar a sério depois da faculdade. Sou, portanto, uma leitora de ficção recente. Que pulou diversos livros que “você-tem-que-ler”.

E chegamos ao outro livro citado no início do texto! Ora, eu nunca li Moby Dick! E qual o problema disso? Por muito tempo me definia por aquilo que não li. Daquelas que entrava em pânico ao ver aquelas listas de melhores livros disso e daquilo e que não tinha lido nem 30% dela (listas podem ser “inúteis”, mas amo demais). E são tantas coisas por ler… Mas há tantas outras que descobri pelos meus interesses “estranhos”, pelas conversas entre amigos, indicações de outros blogs (e mais recentemente vídeos), passeios despretensiosos à livraria… Sem contar a lista gigante de desejos que comecei a preencher quando trabalhei em livraria.

Não vou mentir que não me sinto mal pelos livros que não li. Mas são coisas que QUERO ler e não que DEVO ler por este ou aquele motivo. E posso garantir que quero muitas coisas. E muitas delas já povoam minhas “pilhas da vergonha”.

Enquanto isso, minha pilha de livros com próximas leituras cresce numa progressão geométrica, em que leio 4 livros e compro 80 (vide a #farradasamericanas da foto. Tá que a compra foi conjunta com o Kalebe, mas vocês sentiram o drama). E ao mesmo tempo que você pode me achar doente (o que eu ainda não descartei), devo dizer que mesmo agoniada pelo tanta coisa por ler, acho incrível o fato de ter essa quantidade de coisas por descobrir. Por que deve ser muito chato saber de tudo…

10 comentários em “Dos livros que não li

  1. Você acaba de contar a história da minha vida!!
    Tive a mesma relação com Olga, com Harry e a não relação com a baleia! Ha ha ha.

    Esse blog é incrível e vocês são fabulosos.

  2. Copio o/a querido/a de cima.. vocês são fabulosos.
    E Ju, o lance é o seguinte leitura é gozo, satisfação.. você faz porque quer, porque deseja e nada mais. Nunca me convenci dessa obrigatoriedade sobre algumas obras, por isso talvez eu tenha um travamento com os clássicos.
    Engraçado, Harry Potter foi o primeiro livro que li. Sou filha única, de uma família limitada quanto à leitura e nunca tive interesse também, mas de repente ganhei de natal de uma prima querida.. e 'pábufite”: estrago feito!
    Encontrei o grande prazer da minha vida, esse que faz os dias seguirem.

  3. Polly, querida (desculpe pela demora na resposta)
    Muito obrigada!!!

    Linda a sua história <3
    E acho isso mesmo: ler é bom quando lemos o que nos atiça a curiosidade e não uma série de pré-requisitos!
    bjsss, Ju

  4. Tamara,
    obrigada pelo comentário (e desculpas pela demora na resposta) 🙂

    A nossa vida de leitor pode até cruzar com esses livros, mas que seja quando a curiosidade grita e não quando olhares de reprovação nos induzam, não é?
    bjsss, Ju

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