Os Brutos também amam: livros mulherzinhas escrito por homens

Homens que escrevem livros tipo “mulherzinha” não é novidade, Sidney Sheldon até hoje vende muitos livros escrevendo as ditas histórias “água-com-açúcar”. Eu, particularmente não gosto das histórias dele, em geral com mulheres frágeis demais, que parecem sempre estar sofrendo alguma violência.

Atualmente o “Rei do Mulherzinha” é Nicholas Sparks. Seus livros já foram traduzidos para inúmeros idiomas e em praticamente todos os países em que foi publicado aparece nas listas de mais vendidos. Mas outros escritores têm despontado por aqui: Jonathan Tropper e Patterson são provavelmente os mais famosos em praias tupiniquins.
Como os mulherzinhas escritos por mulheres, ele também é considerado um livro de “segunda classe” com o agravante de que é escrito por homens, que em teoria só deveria se preocupar com “alta literatura” e assuntos mais relevantes para o destino da humanidade, que o relacionamento entre homens e mulheres.  Apesar disso, cada vez mais autores se aventuram nesse estilo literário.

O que difere entra as histórias escritas por homens das pelas mulheres é óbvio: a visão masculina sobre os relacionamentos. E, é uma visão bem interessante: os homens são mais objetivos na descrição das emoções. Eles tendem a irem direto ao ponto, ao contrario das mulheres que gostam de detalhar todas as emoções com riqueza de detalhes. É interessante a forma como eles descrevem as dúvidas, as angústias masculinas. Como os homens se sentem quando, mesmo amando a mulher com quem estão, precisam desistir do carro esporte e dirigir um utilitário familiar, como temem não poder “prover” o bem estar de sua mulher e filhos. Percebemos que (pelo menos nos livros) os homens sofrem para deixar a vida de solteiro, com sua liberdade e gastos e assumir uma vida de certa forma mais “presa” e monótona. Eventualmente eles percebem que construir uma família, assumir o título de “pai de família” também pode ser uma aventura, mas até chegar a essa conclusão, eles sofrem e se questionam se não estão fazendo uma besteira largando todas as mulheres do mundo por uma só. Vemos como eles sofrem quando ficam viúvos, como podem se sentir inferiorizados quando se divorciam e veem a ex-mulher bem com outro cara. Eles não tem a opção de encontrar com os amigos e ficar falando mal da ex, ou fazer uma orgia de compra de sapatos ou afogar as mágoas em chocolate e sorvete. Eles, na maioria das vezes, não tem o “direito” de sofrer em público de chorar e se desesperar, então eles guardam tudo isso para si e só quem lê o livro realmente sabe o que ele está sofrendo.
Ainda hoje, na nossa sociedade aparentemente moderna, os homens não podem realmente entrar em desespero porque tomou um pé na bunda ou a mulher que ele ama está morta. Ainda se espera que eles aguentem todos os trancos emocionais de forma estoica, firme. De certa forma esses livros são mais emocionais que os escritos por mulheres porque os sentimentos são todos “subterrâneos”, o personagem segue a vida, mas claramente (para a leitora) ele está sofrendo. Talvez por isso as mulheres cada vez mais gostam desses autores: eles desvendam o mistério das emoções e do sofrer masculino. Em geral nunca sabemos realmente como nossos irmão, amigos, amantes, maridos, namorados estão sentindo. Não de verdade. Não em todos os seus detalhes “suculentos”. Os livros mulherzinhas escrito por eles são uma janelinha, ainda que virtual, para esse planeta que é a vida emocional masculina.
Mas nem tudo são lágrimas! Mesmo em seus livros mais tristes Nicholas Sparks coloca uma pitada de humor e ironia que tornam a leitura menos chorosa. Jonathan Tropper escreve livros sobre homens que passam por momentos difíceis num texto que é agridoce: você acaba rindo de tanto chorar. James Partterson também enveredou por essa seara e escreveu o seu Diário de Suzana para Nicholas, que também intercala momentos divertidos com momentos mais angustiantes.
Uma coisa peculiar nos romances escritos por homens é que (pelo menos nos que eu li ) as cenas de sexo são mais comportadas. As mulheres quando se propõe a escrever o “intercurso sexual” de seus personagens  carrega nos detalhes: onde, quando, o que ele fez, o que ela fez, o que eles fizeram, sentiram falaram… tudo é detalhado. Nos escritos masculinos tem menos detalhamento, novamente é mais direto e objetivo, uma coisa mais “soft”. Talvez porque os homens estejam mais acostumados com a narrativa pornográfica ou porque temem escrever alguma coisa que a mulherada considere pornografia, quem sabe? Eu tenho a impressão que assim que eles conseguirem um meio termo entre a narrativa pornográfica e a narrativa sensorial feminina, teremos bons livros eróticos-mulherzinhas .
Eu sou uma moça leitora de livros mulherzinhas, mas de coração mais gelado que iceberg, poucas coisas me emocionam e geralmente o que me emociona é biografia de cachorro ou gato (na verdade pode ser qualquer bicho). O fato é que dificilmente choro nesses livros. Agora os mulherzinhas escrito por homens me fazem gastar caixas de lenço de papel o que é patético, mas sintomático: na sua objetividade, na maioria das vezes os romances escritos por homens podem ser muito mais emocionantes que o escrito por mulheres. 

Um comentário em “Os Brutos também amam: livros mulherzinhas escrito por homens

  1. Achei muito interessante o tema do post, de verdade. Penso que o fato de as cenas eróticas descritas pelas mulheres serem bem mais detalhadas esteja relacionado ao fato de que as mulheres são mesmo mais detalhistas ao conta/dividir coisas e detalhes de seus relacionamentos. Já os homens são mais discretos nessa questão, só dividem até certo ponto, e acho que isso se reflete também na literatura. E também acho que tem a ver com estereótipo, de quebrar aquela imagem de “safado” que inconscientemente as mulheres têm dos homens (já que elas são as principais leitoras desse tipo de romance). Enfim, sei lá, só ideias.
    Confesso que não leio muito do gênero, apesar de ter bastante curiosidade de ler algo do Patterson. Agora o Nicholas Sparks, li um único livro dele e detestei, achei apelativo e pouco convincente…
    E sou meio como você, não me emociono fácil com histórias bonitinhas. Mesmo se um livro chega a me emocionar, não chego às lágrimas, bem difícil…

    Um beijão! Livro Lab

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