Hello editoras! Darth Vader and Son – Jeffrey Brown

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Picture 11Quando você está com gripe, não é raro dizer que um chazinho pode curar, ou, no mínimo, melhorar o nariz entupido. Quando o dia está muito quente com mormaço de São Paulo, uma coca gelada é o que há de bom na vida. Fritas com hambúrguer, ou com cerveja ou mesmo no meio do almoço por quilo é irresistível, ou mesmo um chocolate quando está depressivo. Há coisas que tem sua razão de ser no mundo e combinam com determinado eventos. Há outras que tem o dom de combinar com basicamente tudo, e dentro do nosso universo contemporâneo, aquilo que combina com tudo é Star Wars.
Pessoas que nunca sequer tiveram vontade jogar um jogo de celular, baixaram o Angry Bird Star Wars, não pelo fato dos pássaros suicidas serem engraçados, mas pelo loguinho mágico que invoca os sabres de luz. O maior sucesso das bancas atualmente é um xadrez dos personagens de Star Wars, e pessoas que nem sequer tem afinidade com o jogo de tabuleiro estão colecionando só pelo fato de ter o símbolo máximo nerd (desculpem, mas xadrez de Star Wars é a coisa mais nerd que eu já vi na vida… e eu terei um) e nem sequer param para pensar que a coleção inteira deve sair por uns 1300 reais (ou talvez não). Fato é que a licença para usar os personagens de George Lucas, assim como os escudos de times, não garantem algo minimamente interessante quando analisamos friamente e na maioria dos casos conspira para algo meia boca. Então é de se admirar quando realmente sai um livro de qualidade sobre esta maravilhosa mitologia do século XX, e é isso que Jeffrey Brown consegue com este livro.

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O adjetivo utilizado no último parágrafo já me compromete com algum lado da Força, mas devo dizer que sou o primeiro a criticar a quantidade excessiva de publicações sem sentido a respeito. Ano passado tivemos uma estátua do Vader com um livrinho de 32 páginas, dois livros de culinária mais ou menos, um livro de como falar wookie (sério), um livro que elenca os bonecos colecionáveis, várias fan-fictions, um pop-up com neon, um livro de avião de papel com as naves de Star Wars, entre outras coisas. Só a estátua do Vader era realmente legal, isso em função do preço e não pelo livro, o resto é dispensável para minha biblioteca particular. Mas fui surpreendido pela publicação dessa pequena obra, pois quando você retira a figura de Darth Vader e o pequeno Luke, temos charges linda sobre o relacionamento de pai e filho.
A estrutura do livro é elencar várias tirinhas infantis em que mostra como a vida seria se Darth Vader tivesse criado Luke desde criança. Nada do vilão temido do cinema, e sim de um pai que enfrenta dificuldades maiores do que o controle da força, como comprar um presente para o seu filho e embrulhar de uma maneira decente, brincar de esconde-esconde na Millenium ou colocar Luke para dormir. Logicamente há piadas internas que todo o bom fã de Star Wars vai gargalhar mais do que alguém que nunca viu os filmes, mas o grande acerto do livro é tornar isso um “a mais” e nunca o centro das piadas.
O centro do livro é a relação pai e filho, e sua várias facetas. Isso dá uma qualidade diferente do que vemos de literatura sobre o universo, pois foi-se o tempo que Sombras do Império não era somente um livro sobre Star Wars, mas uma ótima ficção. Atualmente só temos Jedis genéricos. O traço também é importante, pois as charges mais ligadas a homenagem aos fã são gafes visuais, e o tom cartunesco que Jeffrey coloca no seu traço é na medida para deixar o traço bonito mas ao mesmo tempo simples.
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Os direitos de publicação já foram comprados por um editora aqui no Brasil, se minhas fontes não falham, mas ainda não há data para o lançamento da tradução, que é relativamente simples. Nos Estados Unidos a segunda parte está para sair mês que vem e é centrada no relacionamento entre Vader e sua filha Leia agora.
Como último ponto positivo, e totalmente subjetivo, eu acho muito legal ver os personagens em situações totalmente surreais, como tomando um sorvete ou brincando de Lego. Essa empatia que poderia parecer estranha para personagens menos conhecidos, mas é quase automática para eles, pois já passaram daquela barreira de ser somente um ícone pop de uma geração para se instalar para sempre na mitologia do século XX, assim como Batman, Super-Homem entre outros. O apelo é tão grande que não dá para ver este como um livro infantil sobre relacionamento entre pais e filhos, mas como declaração de amor a um universo e como até um daqueles infantis que chamam mais atenção dos adultos do que das crianças. Lógico que elas se interessam porque veem o Darth Vader, mas muitas tiradas só serão compreendidas em idade mais avançada.
Vale a leitura e como lição de que, nós como leitores antes de fã, queremos obras de qualidade dos nossos universos preferidos, e não só caça-níqueis. Hello editoras!
P.S. Star Wars é algo tão enraízado na cultura, que o corretor ortográfico implica com cartunesco mas aceita tanto Star Wars quanto Darth Vader.

Darth Vader and Son
Autor: Jeffrey Brow
Chronicle books
64 pgs

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