Napoleão – uma bigrafia

“Grandes Destinos são imprevisíveis. Quem poderia adivinhar em 1769 que uma criança corsa, recém-vinda ao mundo, criaria um império na França e distribuiria entre seus irmão os tronos da Europa? Quem teria previsto, em 1794, que um jovem tenente, recém-francês, tornar-se-ia em 1800 senhor do país?Quem ousaria afirmar que em 1810 que, cinco anos mais tarde, tão brilhante  estrela se extinguiria? Quem teria imaginado, em 1815 , que seis anos de exílio serviriam de pedestal à mais prodigiosa reputação póstuma do século? E quem então pensaria que esse homem, após ter por vinte anos levado os franceses à batalha, à vitória, depois á derrota, permaneceria amado por eles, e que sua lenda se tornaria uma das mais fascinantes da história? PP.05

Napoleão Bonaparte não é uma figura que inspira indiferença. Seus admiradores são “apaixonados” por ele, seus detratores no mínimo o desprezam. Pelo primeiro parágrafo desse livro já dá pra perceber em que time está André Maurois. O autor adora Napoleão! Fica difícil não admirar um homem que encarna tão bem o arquétipo de herói: ele nasce numa família relativamente pobre, se esforça para cursar a escola do exercito, aguarda pacientemente a oportunidade de mostrar seu valor e, quando essa oportunidade aparece, se sai tão bem que cai nas graças dos próximos ao poder. Napoleão era excelente estrategista tanto num campo de batalha como na sua vida pessoal. Ligou-se às pessoas certas, leu tudo o que pode sobre praticamente tudo o que poderia ser útil à sua vida militar. Era um soldado destemido e digno de admiração.

Aproveitado um vácuo de poder após a revolução francesa e as vitórias militares, Napoleão se torna presidente da república da França e posteriormente Imperador. Nos anos seguintes domina toda a Europa e se aventura até a Rússia, onde finalmente começa o declínio o do seu império.

Napoleão é mostrado como um homem focado em estabilizar a França e ampliar o império por toda Europa e derrotar os ingleses. Ele é ambicioso, mas ao mesmo tempo é virtuoso: apesar de poder – e ter – muitas amantes, prefere ler e estudar seus inimigos. Às vezes parece que ele estava “destinado” a alcançar o que alcançou.

Essa é uma biografia (como o título diz) ricamente ilustrada. As imagens dão rosto às pessoas e ao cenário da história, o que tira um pouco o ar de “história acadêmica”: as datas são importantes, mas não ao ponto de irritar e, junto com o texto fluído, torna a leitura bem fácil.

É um bom livro, mas não é um livro para quem não conhece nada sobre Napoleão e quer conhecer a trajetória dele. Como eu já dei a entender, o autor é fã do biografado, então é um livro que tende a mostrar o melhor lado de Napoleão. Recomendo que seja um contraponto a outra leitura, de preferência de algum autor que não ache Napoleão tão incrível assim. Uma pesquisa pode encontrar esse tipo de obra.

Apesar de tendencioso, eu gostei do livro e com essas ressalvas acho que vale a pena a leitura.
Napoleão – Uma Biografia Ilustrada
Autor: André Maurois
Tradução: Vera Giambastiani
Editora Globo, 2013
160pp.

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