Colaborador + Achados do sebo #2

Por: Bruno Leite

Esse post promete ser mais divertidos de se confeccionar do que as resenhas tradicionais; afinal de contas, ficar horas em sebos e livrarias e gastar o dinheiro que não temos com esses pequenos tesouros é uma terapia avançada para qualquer alma minimamente amedrontada.


Eu geralmente entro nos sebos atrás de uma coleção da Abril que data de mil-novecentos-e-guaraná-com-rolha que remete aos meus tempos de bibliotecário. Eu li praticamente tudo dessa coleção, que é gigante, Ou achava que tinha lido tudo, porque a cada vez que eu vou a um sebo, descubro um título diferente e me baixa um espírito Becky Bloom que me faz comprar tudo o que vejo pela frente. Comida e roupa pra que, né miagente?

Essa coleção me mostrou o melhor da literatura, como, por exemplo, O Complexo de Portnoy, O Sol Também se Levanta, A Boa Terra, O Grade Gatsby, Bel Ami, o magnético O Colecionador e um do qual nunca vou me esquecer por ter sido extremamente impactante: De Bar em Bar. Um beijo grande pra Theresa Dunn, sua linda!

Mas claro que você sempre se depara com esse ou aquele outro livro que são incríveis e que não fazem parte dessa coleção, como as peças perdidas do Chico Buarque e Thomas Mann que é de uma virtuose que bate no infinito e volta.

Mas tem também, os livros que eu ACHEI nos lugares mais inóspitos. Preparem os coraçõezinhos!
Durante uma volta na rua Teodoro Sampaio, passei em frente a um sebo onde, na calçada, tinha uma pilha de livros. Entrei pra oferecer ajuda pra dona do sebo, afinal de contas, che cazzo esses livros estão fazendo na rua minha senhora, cê tá doidona? Ela disse que esses livros pertenciam a uma senhora que estava de mudança pra Londres (ai, que chato…) e que precisava se livrar deles o quanto antes. Como ela não queria comprar, a dona deixou ela colocar na calçada para os transeuntes fazerem a festa. Eu fiquei boquiaberto com a) o desprendimento dessa mulher. Dane-se o que o FedEx vai cobrar, eu quero meus livros here, there and everywhere! b) como ela teve o sangue frio de largar isso NA CALÇADA!!!! Enfim, sorte a minha, lá tinham umas preciosidades que eu coloquei na bolsa e sai correndo, claro….

Noutra volta, estava eu passeando no recém inaugurado Parque Mário Covas com meu até então namorado. Fizemos pique-nique, e como somos pobres, porém, limpinhos, juntamos nossos lixinhos e fomos até o cesto. Chegando lá: PAM! Uma sacola cheia de livros. Sério, você deixar os livros na calçada de um sebo é até ok, mas, daí a jogar no lixo…. MAIS AMOR, POR FAVOR!

E o pior era o conteúdo da sacola: livros muito antigos mesmo, totalmente desgastados, mas, com dedicatórias de amor. Pelo que deu pra entender, a moça veio pro Brasil, deixou o namoradinho em Portugal e ele mandava livrinhos pra ela de lá, com uma dedicatória mais bonita do que a outra. Sério, de cortar o coração!  O conteúdo da sacola foi devidamente dividido e eu fiquei com o Código dos Sábios de Sião e alguns clássicos da literatura portuguesa esquecidos pelo tempo e consumidos pelas traças.

Esse é sempre o mais grave dessas visitinhas aos sebos, desses achados; eles nos pegam pelo pé, surpreendem os nossos instintos afetivos de forma absurda, além de deixam a sua mão com uma sujeira invisível e atacarem a sua rinite/sinusite. Mas quem se importa? Viva o romantismo da história por detrás do livro, viva o processo de restauração caseiro, viva o álcool gel e o rinossoro ! 

Bruno Leite: Um taurino neurótico. Um beatlemaníaco que samba. Porque literatura é luz, raio, estrela e luar.

PS- Se você também tem seus Achados do sebo, conte sua história para nós! Nosso e-mail é espanadores@gmail.com

2 comentários em “Colaborador + Achados do sebo #2

  1. Eu tinha essa coleção Grandes Sucessos completinha! A Abril começou a publicá-la em 81 ou 82, salvo engano. Eu tinha 15 anos e estava migrando dos quadrinhos Marvel para a chamada “literatura séria”. Algum tempo depois, houve uma continuação, só que as capas eram pretas. Foi por meio de “Grandes Sucessos” que eu também descobri grandes obras da literatura, como algumas citadas no post e outras que passo a acrescentar: “O Processo Maurizius”, “Grande Hotel”, “Rebecca”, “Jornada da Esperança” e etc. Vendi parte da coleção para um amigo e hoje me arrependo muito. Quando vou ao principal sebo de Brasília, sempre procuro títulos dessa coleção.

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