Convidado da semana: Top 10 livros de 2012 – Bruno

Por Bruno Leite

Antes de começar o meu Top 10, gostaria de agradecer aos espanadores por terem me acolhido de maneira tão fraternal. Sem sombra de dúvida, fazer parte dessa turma foi o meu maior evento literário durante o ano; valeu gente, vocês são ótimos!!

A lista que se segue obedece a uma regra: livros que foram lançados em 2012 que eu consegui ler. Li muita coisa editada em anos anteriores que dominariam o top dessa listagem (Kazuo Ishiguro iria abocanhar uma bela fatia desse pódio), mas ai não seria justo com uma galera que fez bonito em tempo presente. Também estou aguardando a edição completa de 1Q84 do Murakami, por isso uma das unanimidades dos top 10 não aparecerá aqui. Estou me consumindo por dentro, mas vou segurar a bronca até sair o terceiro.

Agora vamos ao meu pódio totalmente tendencioso e sujeito a polêmicas:

10º lugar: Granta 9 – Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros

E para abrir uma lista….uma lista! Sempre polêmicas, mas não por isso menos apaixonantes. Quem conseguiu resistir ao livro mais comentado do ano com todos os possíveis nomes que ficaram  de fora? E o mais engraçado é que toda vez que tentamos tirar “aquele autor daquele conto confuso” para colocarmos um de nossa predileção, ficamos um aperto no coração porque “não é que aquele autor seja ruim, mas…sabe….? Eu prefiro tanto esse daqui, mas olhando a obra num todo, ele até se encaixa e…”.

Era o que precisávamos há muito tempo: alguma listagem que nos fizesse redefinir o que pensávamos e o que sentíamos pela nova safra literária tupiniquim; e a Granta conseguiu isso. Foram inúmeras as re-montagens de lista para a nossa lista pessoal e intransferível e o que ocorria era acima de tudo um exercício de crítica individual e bem aí mora a grande vantagem da Granta: ela fez de todo mundo, crítico e espectador, num casamento saudável. Cada um que se aventurou a analisar a lista, saiu entendendo um pouquinho mais de literatura nacional do que antes. E um brinde ao Marcelo Ferroni!  (resenha de Juliana e Kalebe)


9º lugar: Ar de Dylan – Enrique Vila-Matas

Sinceramente, quando vi que um dos escritores que mais admiro ia falar sobre uma das figuras mais icônicas do século XX, eu quase tive um ataque. Música e literatura são as minhas duas grande paixões e Vila-Matas nos brindou com um texto delicioso unindo as duas coisas. O livro conta mais do que a história de pai e filho numa trama que por si só já é genial. Conta, acima de tudo, a história das múltiplas possibilidades e personalidades que podemos ser e da liberdade que temos para isso (quer dizer, nem sempre…) e de como Dylan consegue agregar tudo isso em si mesmo de maneira tão clara. Tanto a obra de Vila-Matas, quanto as letras de Dylan são cheias de citações e na trama isso não é diferente; depois de ler esse romance substancial, você sai se sentindo pleno de conhecimento, de curiosidade e com aquele gostinho de prazer literário que só quem já leu esse catalão maravijoso sabe o que é.

8º lugar: A Culpa É das Estrelas – John Green

Os adolescentes da década de 90 tiveram como romance de formação O Mundo de Sofia. Os da década passada tiveram A Menina que Roubava Livros. Os dessa década terão daqui para frente o que eu me permito chamar – junto com as promoters do livro – de culpinha.

Um livro extremamente lindo, delicado, inteligente, honesto, cativante, profundo, emocionante. Daqueles que te fazem repensar a vida e que te fazem se sentir um lixo por ser um burguesinho egoísta. Sério, não tem nem por onde começar a se descrever essa pequena maravilha, saia da internet e vá fazer suas promessas de ano novo depois de chorar a bacia hidrográfica do Amazonas com esse libelo de amor e generosidade.

7º lugar: O Sentido de um Fim – Julian Barnes

Um livro que o Djavan leria num dia frio e talz. Conta a história de um senhor que em tempos atuais e confusos, revive as memórias de um tempo onde ele era feliz e confortável (afirmação sujeita à análise). Nessa época, ele era amigo de Adrian, um jovem visionário que carregava dentro de si o espírito de sua geração. Adrian se torna um referencial para a vida desse senhor taciturno e pesaroso que caminha pelo tempo tentando analisar a vida com o que pode aprender com esse grande irmão. Em suma: conta a história de um amor lindo entre amigos, um encontro de almas amistosas, um verdadeiro aconchego literário. É tão arrebatador que eu li duas vezes enquanto lia o primeiro lugar dessa lista (não ouse desobedecer a ordem, Sr. leitor curioso!). Em suma, um livro magnífico para jovens que ainda não sabem o que pensar da senilidade e um livro esplendoroso para quem viveu tempos áureos e não sabe o que se pode “curtir” ou não. (resenha de outro convidado do blog, o Ivan)

6º lugar: Barba Ensopada de Sangue – Daniel Galera

A Granta virando realidade. Se no meu décimo lugar nós tivemos uma pequena dose do que viria a ser o novo romance de Daniel Galera, quando começamos a nos aventurar página por página, sentimos aquilo a que o autor veio: refrescar as letras tupiniquins.

Fiz até uma resenha dele aqui e tem a do Kalebe aqui. Uma das unanimidades do blog, um livro bárbaro dos braços mais lindos e viris da literatura brasileira. Muito amor. #tiete

5º lugar: Serena – Ian McEwan

Um livro para a vida toda. Ian se reinventa de maneira engenhosa e brilhante, escreve com uma virtuose raramente vista em sua obra. É quase indescritível dizer o que senti quando comecei a desbravar esse pequeno tesouro da literatura moderna além de um orgulho muito grande. Toda tentativa de tentar explicar o que Serena significa é estragar um pouco o prazer que você leitor,  irá ter lendo. Agarre o seu na livraria mais próxima e nos agradeça depois. (resenha da Juliana)

4º lugar: Como Ficar Sozinho – Jonathan Franzen

Esse livro faz parte de uma bibliografia para bom compreendimento do ser humano que eu fiz para OVNI’s curiosos e amistáveis. Um livro divertidíssimo e ao mesmo tempo visceral por tocar em um ponto crucial da era moderna de maneira muito graciosa: os exagerados da vida moderna.

Da futilidade do “eu te amo” ao telefone, ao abismos emocional que uma doença degenerativa causa, o livro todo norteia o sentimento de excessos a que somos submetidos diariamente. Um pequeno livro que tira um sarro e emociona as nossas vontades e sentimentos mais dicotômicos.

3º lugar: A Visita Cruel do Tempo – Jennifer Egan

Um clássico moderno, um libelo de criatividade, inventividade, genialidade e de talento, MUITO talento. Jennifer chegou bem no começo do ano e quando eu terminei de lê-la, percebi que seria muito difícil alguém tirar ela de um top três do ano. Difícil não cair de amores pela história fragmentada de tipos tão humanos e deliciosamente complexos. E para nós, brasileiros, a sensação Jennifer Egan perdurou por um bom tempo, depois do sucesso de público e crítica, fomos presenteados com O Torreão, uma espécie de embrião do que seria A Visita Cruel do Tempo, outro livro riquíssimo que vale a pena ser lido. Enquanto desbravávamos o mundo da vencedora do pulitzer, ela causava um frisson na internet com a publicação de uma história de espionagem fragmentada em Caixa Preta via twitter, que foi lançada por aqui em formato digital – o prenuncio de um novo tempo. Uma das personalidades mais importantes do meio literário em 2012, sem sombra de dúvidas. (resenha do Kalebe aqui)

2º lugar: O Filho de Mil Homens – valter hugo mãe

Um livro que me tirou muitas lágrimas, que me completou como ser humano, que me acolheu como escritor em formação e que me encantou por sua prosa poética poderosíssima. valter hugo mãe conseguiu me deixar boquiaberto com a história de Crisóstomo, um pescador solitário que consegue formar uma família como quem monta uma colcha de retalhos, cosendo cada farrapo com uma ternura, com uma delicadeza que só os sensíveis de coração conseguem entender. Um livro que paira acima de qualquer descrição catedrática, de qualquer adjetivo bonito, mas antes de tudo um livro para se tomar em goles generosos afim de esquecermos o mundinho cão onde vivemos.

1º lugar: A Trama do Casamento – Jeffrey Eugenides

É difícil dizer o que sinto por esse livro, além de um carinho e um respeito enorme, tanto que foi a minha primeira resenha no blog mais bonito da cidade (e tem resenha do Kalebe também). Madeleine Hannah vive dentro de mim como se fosse um ente querido ou uma amiga de longa data. A maneira como Eugenides conduziu a história deliciosamente belicosa de seus desencantos amorosos me tomou de uma maneira até então inédita  Madeleine é mais do que uma simples heroína com tendências românticas, é um dos melhores exemplos do que é o embate entre a razão e a emoção, modernidade e passado, amor e morte. Parabéns Eugenides, você conseguiu conquistar mais do que um primeiro lugar, mas sim, um lugar no meu imaginário literário.

Bruno Leite: Um taurino neurótico. Um beatlemaníaco que samba. Porque literatura é luz, raio, estrela e luar.

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