Top 10 de 2012 – Juliana

Provavelmente desde que começamos o blog, esta foi a lista de melhores do ano mais complicada para eu fazer. Não li nada MUITO RUIM este ano, mas foram poucas as leituras que me arrancaram suspiros, palavrões ou coisas do tipo. Foi um ano, digamos, ameno… Mas os 10 livros desta lista me tocaram de alguma forma… Vamos a eles?

10º lugar: Abusado – Caco Barcellos
Já admirava o jornalista Caco Barcellos antes de ler qualquer coisa dele. Sua posição sempre me pareceu muito ética e correta, mesmo trabalhando onde trabalha (eu não tenho grandes problemas com isso, mas…). Este livro, além de nos apresentar uma história cada vez mais próxima da nossa realidade, é como um soco no estômago. Além disso, é impressionante como o jornalista consegue se “infiltrar” dentro do morro dominado pelo tráfico e conversar com todas as esferas hierárquicas. Mas o grande personagem é Juliano, o chefe do tráfico, e o Abusado do título. As conversas com ele são impressionantes. 
Além disso, para quem se interessa por jornalismo, o último capítulo é uma aula de ética e de como fazer jornalismo investigativo. (minha resenha aqui)
9º lugar: Fracasso de público (parte1) – Alex Robinson
Um quadrinho sensível e bem diferente do que andava lendo (gente, não estou reclamando – muito pelo contrário – mas esse foi o ano de Batman para mim!). O mote é bem simples: um grupo de amigos que precisam enfrentar os problemas do começo da vida adulta. O emprego ruim, que mal paga o aluguel, o namoro que vai mal, o amigo em crise… Enfim, podem ser situações comuns a todos, mas a forma criativa e ao mesmo tempo simples que Alex resolve a história é encantadora.

Além disso, me identifiquei horrores com o personagem principal, que trabalha numa livraria… (minha resenha aqui)

8º lugar: O teu rosto será o último – João Ricardo Pedro

Acho que meu texto sobre o livro não deixou muito claro o quanto eu gostei do livro. Talvez porque tenha escrito logo que terminei a leitura. E O teu rosto será o último é daqueles livros que você vai digerindo a história aos poucos. Que você vai tirando suas conclusões sobre as pontas que o autor nos deixa para costurar.

A narrativa mescla a historia de 3 homens (de 3 gerações) da mesma família. A forma fragmentada pode ser um recurso cada vez mais comum (eu não acho, mas..), mas me agrada muito. (minha resenha aqui)

7º lugar: Serena – Ian McEwan

Mesmo dando O BIG SPOILER do livro que estava lançando em Paraty, McEwan não estragou em nada a experiência que foi ler Serena. A engenhosidade (ou manipulação, como o autor gosta de fazer) para se chegar à conclusão, o enredo… Enfim, é um livro delicioso, de um autor que eu já gostava antes de ter lido qualquer coisa… Que a admiração continuou depois de não ter curtido muito o Na praia (meu texto aqui) e que virei fã de carteirinha depois de conseguir vê-lo na entrevista coletiva em Paraty (o texto aqui!).

Gosto muito de ver autores falando sobre seu trabalho e sua obra e ver alguém tão incrível como McEwan mostrando o quanto é humilde e consciente de seu trabalho foi incrível. E melhor ainda foi ver muito do que ele falou aplicado em Serena. (minha resenha aqui)

6º lugar: A memória de nossas memórias – Nicole Krauss

Ano passado li A história do amor (meu texto aqui) e fiquei besta, paralisada, apaixonada… E fui ler o novo livro da Nicole com aquele monstrinho da expectativa. Mas mesmo achando A história do amor seu melhor livro (só falta mais um livro da autora para eu ler, então é um julgamento apressado, mas vocês perdoam). Ainda assim, a forma que a autora narra acontecimentos e nos apresenta personagens ainda está lá e a história desse livro é linda.

E vamos combinar que um livro que te faz perder a estação final do metrô porque você estava besta com uma revelação merece estar no top 10, né? (resenha aqui)

5º lugar: A visita cruel do tempo – Jennifer Egan

Confesso que li esse livro como um desafio feito pelo Kalebe. Achava que o livro parecia meio pretensioso e essa coisa de muito elogio assim que o livro sai me deixa meio cabreira…

Mas o livro me pegou com seus personagens desajustados e sem lugar. É um livro que trata muito das expectativas, dos planos de vida. Além disso, me impressionei com a fluidez da escrita de Egan. Tudo tem o seu lugar, mesmo que não pareça no início. (resenha do Kalebe aqui)

4º lugar: HHhH – Laurent Binet

O livro primeiramente me chamou atenção pelo seu tema principal. E foi por isso que resolvi lê-lo. Mas aí, você entra no labirinto que o autor cria. E é uma experiência incrível.

A narrativa é em 1ª pessoa de um autor que está escrevendo a história da morte da “besta loira”. Entre fatos históricos chocantes da 2ª guerra, a consciência do autor vai se impondo, suas opiniões e conflitos tomam grande parte do livro. Uma “biografia de uma biografia”, talvez? Não sei se essa é a classificação. Mas é um livro incrível, narrado de uma forma totalmente diferente. (minha resenha aqui)

3º lugar: Anatomia de um julgamento – Janet Malcolm

Mais um livro de jornalismo literário na minha lista! E depois que li este, Janet Malcolm tornou-se uma referência no gênero.

Através de um julgamento de assassinado, Janet questiona a nossa visão de verdade, justiça e, acima de tudo, o papel da imprensa. Me impressionou como a autora questiona e “provoca” tanto os seus colegas de trabalho (principalmente aqueles que também faziam a cobertura do fato). Um livro que deveria ser obrigatório em todas as faculdades de jornalismo. Principalmente para tentar acabar com essa ideia estúpida que somos fabricantes da verdade. (minha resenha aqui)

2º lugar: Os Imperfeccionistas – Tom Rachman

Mais um daqueles livros em que as histórias se cruzam. Me parece muito com a ideia (dada as devidas proporções) de A visita cruel do tempo. Talvez ele esteja em melhor colocação porque o li alguns meses antes que o da Egan.

De qualquer forma, é a história de um grupo de jornalistas que escrevem para um jornal em inglês na Itália que está à beira do seu colapso financeiro. Cada capítulo traz a história de um membro desta redação. E é impressionante a capacidade de Rachman de criar personagens mais detestáveis e “perdedores” a cada capítulo. Mas é impossível não sentir compaixão. Seja do jornal (que talvez seja o personagem principal e tem, entre os capítulos, a sua narrativa temporal contada) que está minguando, seja deste ou daquele personagem. (minha resenha aqui)

1º lugar: Habibi – Craig Thompson

Ano passado coloquei este livro como menção honrosa em minha lista. Mas só fui ler de fato no início de 2012…

E mais uma vez Craig Thompson é quase uma unanimidade aqui no blog (Kalele e Menezes também colocaram em suas listas). Também pudera…

A maturidade do traço e da narrativa de Thompson neste seu novo quadrinho fica evidente a cada página. Além disso, é um mergulho à cultura árabe sem nenhum filtro de preconceito. A forma como ele consegue fazer paralelos da vida de Zam e Dodola com o Corão e com as lendas das 1001 noites é impressionante. Um livro para se reler sempre. (minha resenha aqui e a do Kalebe)

2 comentários em “Top 10 de 2012 – Juliana

  1. Quero tanto ler Habibi, eu deveria ter comprado ele como meu presente de aniversário, mas parece que TODO LIVRO que quero muito acabo deixando pra depois e passa-se anos… 🙁

    Não li nenhum do seu top 10, alguns já figuram na minha lista ~~infinita~~ de desejos: A visita cruel do tempo, Serena, A memória de nossas memórias e Habibi x) Os demais, anotei o título, se ler algum deles, digo o que achei ;D

    Beigos!

  2. Pingback: [Mania de Listas] As melhores leituras de 2017 da Ju | O Espanador

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