A Décima Terceira História

“Vidas – de mortos – são apenas um hobby para mim. Meu verdadeiro trabalho é na livraria. Meu trabalho não é vender livros – meu pai faz isso -, mas cuidar deles. (…) Afinal de contas ler de certa forma é cuidar.
As pessoas desaparecem quando morrem. Sua voz, sua risada, o calor do seu hálito. Sua carne. Finalmente, seus ossos. Toda lembrança viva delas desaparece. Isso é ao mesmo tempo terrível e natural. Entretanto, para algumas há uma exceção para essa aniquilação. Pois, nos livros que escrevem, elas continuam a existir. Nós podemos redescobri-las. (…) Por meio da palavra escrita elas podem deixar você zangado ou feliz. Elas podem conforta-lo. Elas podem surpreendê-lo. Elas podem muda-lo. Tudo isso embora estejam mortas. Como moscas em âmbar, como cadáveres congelados, aquilo que pelas leis da natureza deveria desaparecer é preservado pelo milagre da tinta sobre o papel. É uma espécie de mágica.”  (Pag. 27)
É possível um livro contemporâneo ser gótico? Foi isso que eu pensei assim que comecei a ler esse livro. Está tudo lá: a casa sombria, o nevoeiro, os mistérios, os fantasmas, os amores proibidos ou inapropriados… O “clima” pesado que só esse tipo de história tem.

O livro é narrado em primeira pessoa, por Margaret Lea, filha de um livreiro especializado em livros raros e biografa hesitante, que recebe um convite para escrever a biografia de Vida Winter, escritora de sucesso que vive isolada no interior da Inglaterra. Vida Winter é conhecida por já ter dado várias versões sobre acontecimentos de sua vida. Será que agora, ela contará a verdade?


Mesmo tendo dúvidas de que seria capaz de escrever a biografia dessa mulher misteriosa, Margareth segue para casa da escritora. Chegando lá, ela é envolvida numa atmosfera opressiva, em que ao mesmo tempo em que vai ouvindo o relato da vida de Winter, ela acaba se envolvendo com mistérios da casa onde está hospeda e de outra casa, num outro lugar na Inglaterra, que esconde segredos perturbadores. E, ao ir descobrindo esses segredos ela acaba descobrindo mais sobre ela mesma e sua família.

Confesso que comecei a ler esse livro com o pé atrás, o comprei junto com outros 03 livros numa promoção da editora no inicio do ano e os outros livros eram incrivelmente chatos!! Pensei “esse deve ser uma porcaria também”.  Mas é tão legal estar enganada! Comecei a leitura e foi difícil parar de ler. Eu, que não posso ser acusada de ser uma leitora lenta, li as mais de 400 páginas num final de semana.

Adoro o fato de a personagem principal ser uma aficionada por livros, adoro o “climão” de mistério. A história é muito boa, desde de o início, o desenvolvimento das histórias paralelas, até o final com sua descoberta surpreendente.

Moças que gostam dos livros das irmãs Brontë e aqueles leitores que gostam de livros com mistérios e um pouquinho de terror psicológico, devem procurar esse livro. É diversão garantida.
A Décima Terceira História
Autora: Diane Setterfield
Editora Record, 2007
432 pags.

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