Os três fantasminhas

Medo de escuro. Medo de fantasma.

Medo de escuro por que têm fantasma? É possivel.

Mas todo fantasma é assustador? Gasparzinho está aí para dizer que alguns só querem ser amigos. (assisti todos os desenhos, mas o filme nem quis me aventurar!)

Então existe fantasma criança? Existe! Eles também precisam ir a escola, obedecer aos pais, aprontar traquinagens e aprender a assustar.

E Os três fantasminhas de Pippa Goodhart são bem assim. Pequeninos e brincalhões, a comer torradinhas e contar suas façanhas na arte de assustar. Cada qual com sua história, em pequenos versinhos rimados, estes três fantasminhas se divertem ao assustar os outros. Até que resolvem sair juntos para assustar e acabam sendo as vítimas do próprio susto.

Até ai, nada de mais, aliás, a história é engraçadinha, rimada, leve, curtinha. Uma leitura muito agradável com os pequeninos. Mas o legal do texto são os pequenos detalhes, como a aproximação dos fantasminhas com a realidade das crianças, de comer torradinhas, conversar sobre as coisas que fez ao longo do dia, brincar e se divertir, aprontar e levar bronca dos pais. Esta postura diante dos fantasminhas ajuda a desmistificar a imagem de terrível que para algumas crianças pequenas essas figuras possuem. Traz para o âmbito da semelhança, da brincadeira e deixa o assunto com um ar mais leve, principalmente com o desfecho do garotinho virando o jogo. Encoraja a criança a enfrentar seus medos e ver que não existe nada de mais neles. Um jeito bacana de abordar o assunto.

Quanto a narrativa, ela parece norteada por um narrador, que posteriormente cai na primeira pessoa ao mostrar-se como o menino. Mais um ponto positivo para a questão da aproximação, a criança é “dona” da história, e não tem medo disso.


E as ilustrações? São da Annalaura Cantone, uma italina muito talentosa que já ilustrou muitos livros com publicações já traduzidas para o português (oba!). Neste livro ela não foge do seu estilo, marcado pela tinta, mistura de tecnicas, materiais e colagens. Uma graça. O desenho é tão solto quanto a narrativa. Os fantasminhas são muito caricatos e rechonchudinhos, inclusive com bochechas vermelhas! Sua ilustrações reinteram o texto, mas ela enche de pequenos detalhes, o que enrique e facilita a compreensão. Confesso que o livro me atraiu por ter sido ilustrado por ela (que Pippa Goodhart me perdoe! rs).

E não pára por ai! Vem um mobile no final. Que brilha no escuro. Não é demais? Depois de se divertir com a história e enfrentar seus medos, a criança ainda poderá “dormir com o inimigo”! Uma idéia muito boa. E o material do móbile é resistente, mas, um aviso, não é tão simples montar sozinho, principalmente se você for uma criança! Porque ele não vem montado, tem as peças e as indicações de montagem, a linha e a execuçao ficam por sua conta. E devo confessar que estava difícil de acertar os buraquinhos centrais da cama sem meus óculos! Pequeninos, peçam ajuda para algum adulto de boa visão. Adulto com problemas de vista, pegue o óculos ou peça ajuda também.

Adorei o livro. E o móbile. Três vivas para os fantasminhas voando no teto do escritório!

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