Tirando o pó: 2012 chegou e terror dos livro didáticos voltou. Uahahaha.

literatura Quando falamos de livros sejam eles best-sellers, técnicos, auto-ajuda ou calhamaços de literatura experimental, existe sempre um público que adora e dá um valor especial aquilo. Não existem verdades universais e sim opiniões e gostos, mas assim como esse é um pensamento bem aceito universal, existe outro pensamento recorrente e bem válido. Toda regra tem exceção: Ninguém gosta de livros didáticos. Já estudei e trabalhei com esses “queridíssimos” e isso é quase uma verdade universal.
Mas por que tanto azedume nesse coração? é algo necessário para a educação. Concordo, mas vamos nos ater as perspectivas individuais:
O aluno. Ele odeia livros didáticos, primeiro por que ele odeia estudar, segundo porque normalmente se ele não tiver armário como eu não tive, é um peso maldito que aumenta com o passar dos anos.
Os Pais. Depois dos gastos com Natal, final de ano e férias. Tem duas coisas que azedam qualquer ano, os impostos que chegam rapidinho e a lista de material do filho, que normalmente passa fácil de 1000 só nos livros.
O vendedor de livros. Este cara enfrenta a ira familiar se faltar algum livro (raramente uma lista de livros estará completa a pronta entrega), se a escola adotou algo esgotado, se o livro foi encomendado, ou comprado, errado por n razões, ou simplesmente porque os pais precisam de sparing.
Os caras da editora. Não há editora de livros didáticos que não tenha um livro em falta, esperando reimpressão ou em processo de reformulação. Hoje quando estou escrevendo, cada editora didática deve ter umas 20 a 30 falta. E como as aulas começarão, e os professores reclamarão, os pais brigarão com as livrarias que vão ligar incessantemente para as editoras durante o próximo mês.
É uma situação divertidíssima. 

Mas tem uma pessoa que deve adorar isso, os donos das editoras. Isso porque do jeito que o mercado está atualmente um livro didático do fundamental está entre 70-80 reais, um do médio 120-130 reais, e ainda compras para os colégio do Estado, que giram em torno de muitas unidades de um mesmo título… ou seja, é um negócio lucrativo. Tanto é novas editoras como SM e Leya criaram seus próprios livros para competir em um mercado de potenciais como Ática, Atual, Ftd, Moderna, Saraiva e Scipione.

Agora antes de começar a criticar a situação deve-se fazer um adendo de que o conteúdo dos livros é excelente. Tenho livros da época do colégio que me servem até hoje para consulta. Na verdade é bem difícil encontrar um livro didático com o conteúdo abaixo do nível, que é ótimo a excelente. Também fico feliz de ter presenciado uma revolução dentro desse gênero, que aconteceu com a editora Moderna que em suas coleção Buriti/ Conviver, desenvolveu uma ideia muito simples mas inovadora, como todas as grandes ideias: O livro já vir com uma capa de plástico, sem a necessidade de encapar. A outra é que os livros volume únicos do ensino médio, que pesam uns 3 quilos, serem divididos em pequenos livros dentro de uma caixa e assim nasceu o Moderna Plus, um livro normalmente para os três anos mas que você tira as partes dele para usar. Ideias simples que ainda pensam no qualidade do produto, em edições ótimas e com um grande conteúdo. Nesse ponto não há o que reclamar. Ponto.
Mas uma coisa que deixa todas as pessoas acima irritadas com essa época, é a maneira como isso é feito. Muita gente brinca em máfia dos didáticos, não vamos usar esse termo, mas é fácil entender porque existe essa paranóia pois é um sistema falho que não muda de ano a ano, pelo contrário, se solidifica mais e mais com o passar dos anos. Minha bronca primária é editorial na verdade, não chega a influenciar neste período em si, mas mostra algo sobre nosso país que está longe de mudar: a desigualdade na educação.
Vejam bem, os livros didáticos são constantemente reformulados. A cada três anos normalmente, as vezes em dois e muito raramente de ano-a-ano pois aí já fica um pouco difícil comprar a ideia, a não ser que algo tenha saído de muito errado com a edição. São raros os livros que chegam a quatro anos seguidos na mesma edição. Vamos questionar o porquê desses livros serem atualizados. Normalmente para inserir novas informações ao estudo. Eu vejo lógica nisso no livro de história, mas não sei se tantas coisas relevantes aconteceram nos últimos três anos, mas aconteceram, como a Primavera Árabe. No campo da física houveram grandes avanços na quântica e na astronomia, como sempre, mas isso não é interessante, penso eu, para o adolescente no ensino médio.
Não digo, não reformulem os livros. Creio que se dessem a opção para alguns pais metade iria deixar como estar, e ter sempre o material atualizado, e metade iria querer que os prazos aumentassem pois já muitos pais reclamando de comprar um livro para o sexto ano, e dois anos depois quando o filho menor chega na mesmo ano, o livro foi reformulado e não serve mais. O que eu realmente não gosto é que se você estipula esse prazo como editora para ter seu material atualizado ele deveria servir para todos. Mas NÃO É VERDADE, pois as compras de livros para os colégio públicos são edições específicas mais baratas de livros que já existem, ou seja, raramente são os novos. E isso para ter uma vida útil trocando de crianças por quatro anos, quando muito cinco anos. Eu estudei com livros que já tinham sido assinados quatro vezes e que eram uma edição antes da edição corrente. Ou seja, isso demonstra aquela desigualdade entre o ensino particular e o ensino público, que dizem estar sendo trabalhada. Mas se ainda hoje as editoras podem fornecer material atualizado para o particular, e os alunos da pública podem estudar com livros de cinco/sete anos de idade, qual é o parâmetro?
Se formos por esse lado termino só no fim de fevereiro. Existem outros pontos que tornam os didáticos o terror o mercado editorial. Primeiramente a distribuição para as livrarias é algo… que digamos, se resguarda, porque raramente esses livros não tem de ser comprados. Normalmente editoras consignam coisas para livrarias, didáticos são sempre compra. Considerando que você nunca sabe se a edição vai mudar de ano pra ano, com exceção da Saraiva, livrarias raramente tem estoque de didáticos, o que leva para a encomenda e se o livro estiver para ter a edição reformulada, ele vai entrar em falta na editora e será o caos. A escola vai cobrar. O pai vai cobrar. A livraria não tem. A editora não tem, e as pessoas tem pouca paciência nessa época, então…Terror para todos.
Por que as editoras não tem estoque suficiente? Porque você vai imprimir mais livros se ainda tem um pouco no estoque? Principalmente se este for um livro com dois anos de vida e já estiverem efetuando uma reformulação. é mais fácil esperar a demanda geral e rodar a gráfica aproximando-se da demanda. Não sei se acontece, mas não acho difícil. Também há estoques em outro galpão que podem ser remanejados, ou mesmo erro nas previsões da editora. Fato é que se você recebe a informação de que o livro do seu filho está em falta, tenha paciência e avise a escola pois pode ser que demore.
E por último, e talvez menos importante é o preço. O livro didático tem tiragens maior que livros de literatura, o papel, apesar de colorido, não foge ao padrão mesmo porque ele tem que ser leve. As vezes o livro é escrito por vários autores, e tem os direitos autorais. Sim, mas conheci um autor desses livros, e o que ele recebe de direito autoral não é algo extraordinário, não sei dos demais casos mas no brasil não dá para se viver de direitos autorais. Alguns livros são 140,00 e no meu conhecimento editorial´eu não sei situar onde está esse gasto. agora eu digo que esse é o menor dos problemas por que se você tem um livro com ótimo conteúdo, atualizado e que chegue em suas mãos rapidamente você não pode reclamara desse serviço, mas fato é que esse problema da distribuição, de não ter estoque para atender a demanda, mancha o que poderia ser excelente. O grande x da questão é alguma editora se posicionar para atender a todos em tempo recorde, e aí sim teremos algo de diferencial para ser adotado ano que vem. nesse ponto da distribuição todas as editoras pecam, tem faltas absurdas no seu catálogo e provocam todo o estresse que as pessoas passam nessa época.
Conclusão: Para melhorar o sistema atual, não é necessário consignar livro didático, parar com as reformulações ou diminuir o preço. Basta ter o livro em estoque… não é o que acontece. E eu gostaria de ver as mudanças no ensino público, tentando se aproximar do particular, que os livros mais caros e recentes chegassem gratuitamente as crianças, se é um diferencial para uma classe, tem ser para a outra. Segundo os números de 2012, são 1,1 bilhões de reais gastos na compra de livros didáticos para esse ano e foram comprados 162 milhões de livros, o que dá 6,77 reais gasto por livro. é igualdade?

alunos lendo livro didático

2 comentários em “Tirando o pó: 2012 chegou e terror dos livro didáticos voltou. Uahahaha.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *