Semana Neil Gaiman – no mundo dos pequenos

“We could go and live on a desert island,” her father told them all that evening (…)
“we could live in a hot-air balloon,” said her mother.
“we could live in a tree-house at the top of a very tall tree,” sair her brother.
“Or we could go back and live in our house again,” said Lucy. “
The wolves in the walls – Gaiman, 2003

– I swapped her your dad! he said.
– Humph, I said

– Hmph, said my little sister.

– Well he wasn’t very exciting. All he did was read the papper – said Nathan.
The day I swapped my dad for two goldfish – Gaiman, 2004

Sei que serei redundante, mas, Neil Gaiman é o cara.

Acho que se perguntassem para cada um de nós o top 5 das pessoas que gostaríamos de ser, não tenho dúvidas que Neil Gaiman estaria na lista de todos. Não posso precisar uma posição, mas ele está entre os queridinhos do topo do bolo. E também não é por menos. Essa semana já vimos resenhas de ficção, infanto-juvenil e quadrinhos. Se pára por ai? Logicamente que não, ele tem livro de contos e… livros infantis (que falarei hoje)! Ótimo, ele ensina e cativa os leitores em todas as fases de aprendizado e preferências. Versátil qualitativamente. A melhor forma de resumir esse autor. Ele é genial, sabe construir uma boa narrativa independente do tipo de estrutura.

São três os seus livros infantis – e aqui cabe dizer que todos ilustrados por Dave Mckean-, o Os lobos dentro das paredes (the wolves in the walls, 2003), Cabelo Maluco (crazy hair, 2009) e The day I swapped my dad for two goldfish (o dia que troquei meu pai por 2 peixinhos dourados, 2004). Os dois primeiros títulos já foram publicados em português pela editora Rocco. Mas desconheço o motivo por não traduzirem até então o tão engraçado, e de longo nome, do pai trocado pelos peixes.

A obra de estreia no mundo dos menores, foi o original The wolves in the walls. Livro para crianças audaciosas, destemidas e espertas. Já era de se imaginar isso, Gaiman é fiel ao seu estilo de escrita em qualquer público. Crianças não precisam somente de contos de fadas, mas também de histórias inteligentes, com dramaticidade, suspense, e uma protagonista questionadora e curiosa mostra o quanto ele não subestima os menores. O título é auto explicativo e revela o fio central de toda a trama. Sim, existem lobos dentro das paredes. O que poderia parecer loucura ou a imaginação de uma criança, ganha forma.
Lucy é a personagem central da história, o elo de realidade com o mundo. Enquanto os pais preferem não enxergar a verdade, inventando mil outras respostas para os ruídos na casa e depois as ideias mais surreais para conseguirem se livrar dos lobos, Lucy é a sensatez, uma criança que observa os fatos e constroi soluções. Além disso, é uma menina destemida, enfrenta os problemas com uma bravura maior do que a esperada de uma garotinha e com as fragilidades esperadas de sua idade. Cativante a grande Lucy.
Mas, o que mais chama atenção na narrativa não é o fato de existirem lobos nas paredes – tanto é que Gaiman nos revela isso sem rodeios logo no titulo – mas os papeis de inversão entre humanos e lobos, e como as pessoas lidam com questões que estão a sua volta antes de serem reveladas e como reagem quando são. Neste ponto, irônica e divertidamente, humanos e lobos são iguais.
O show a parte nessa obra são as ilustrações e projeto gráfico de Dave Mckean. BELÍSSIMO trabalho. Um deleite as fontes que acompanham a dramaticidade da narrativa que, a cada pico ganha volume e espaço nas páginas. Parece a trilha sonora do livro.
A história dos lobos deu tão certo que, no ano seguinte, a dupla Gaiman e Mckean lançam o segundo livro infantil, The day I swapped my dad for two goldfish. Mais uma vez o título não esconde nada e mostra o fio condutor de toda a narrativa: a troca do pai. O livro não vai além disso, a famosa história da troca, que vira outra troca, e outra e outra… Até que o primeiro se arrepende e inicia o ciclo de “destrocas”. Até aí, tudo bem, mas a diversão e ironia estão no “objeto” central da troca, o pai. O divertido do texto é pensar porque um menino trocaria o próprio pai por 2 peixinhos dourados e as coisas mais estranhas e banais que o pai foi alvo de troca em sequência. Engraçado também ver o motivo pelo qual ele se arrependeu de ficar com os peixes. Achei divertidissimo e simples. E mais uma vez, um livro para crianças tão geniais quanto o autor, para viajarem pelo mundo das possibilidades e consequencias.
E por último, depois de 5 anos sem publicações infantis, a super dupla volta com tudo em Crazy Hair. Esta obra é uma adaptação de um poema que veio como bônus no cd The Neil Gaiman audio collection, em 2005. Divertido, o livro cria um ambiente de sonho para levar as crianças por caminhos de aventura cheias de perigo. É muio estimulante, criativamente falando, imaginar as milhares de histórias que acontecem por aqueles enormes e loucos cabelos, que mistura bailarinas e piratas! Certamente, entre os três publicados até então, este é o mais lúdico, sem perder o caráter do desafio em leves toques sombrios.
E mais uma vez, não posso deixar de comentar, que LINDA a ilustração do Mckean para esse livro. Realmente realça cada frase do poema ritmado. Embora seja predominantemente um trabalho de reforço narrativo, os detalhes e seu estilo conseguem levar a imaginação ainda mais além!
Adorável.

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