Raul Taburin – Sempé


A Cosac lançou esse ano um segundo livro do excelente quadrinista Sempé. Mas não, os livros lançados aqui ano passado não são de seus quadrinhos, são duas belas obras infanto-juvenis (Aliás, acho que os cartoons dele são a cara da Cosac! Fica a dica, não é verdade?). O último deles, é o ótimo Raul Taburin.

Na verdade essa classíficação de infanto-juvenil para o Sempé me incomoda um pouco. As histórias são um pouco complexas demais, às vezes os problemas tratados (tanto em Marcelino Pedregulho, quanto em Raul Taburin) não são tão bem compreendidos pelo universo infantil… Mas o que eu estou falando também pode ser uma grande besteira (e a dona Luani vai querer me esquartejar da próxima vez que nos encontrarmos), afinal as crianças não devem ser nunca subestimadas. Mas não sei, acho que no meu tempo eu só tinha acesso aos livros do cachorrinho Samba…

Fato é que Raul Taburin é uma simples e bela fábula. Raul mora em uma cidadezinha e é reconhecido por consertar bicicletas. Seu talento é tanto, que todos passam a chamar a bicicleta de taburinha, em homenagem ao “artesão”. Mas, apesar de manipular tão bem as magrelas, Taburin guarda um segredo há muitos anos: ele não sabe andar de bicicleta. E esse seu segredo começa ser ameaçado quando o fotógrafo Hervé Figure chega na cidade.

O fotógrafo pretende registrar Taburin andando de bicicleta (ou taburinha). E Taburin acredita que se contar seu segredo, ficará desmoralizado em toda a cidade. Bom, não vou aqui contar como o dilema é solucionado, muito menos como a história acaba. Mas vale dizer que, mais uma vez, Sempé nos conta uma bela história, sensível no ponto certo e sem perigo nenhum de ser piegas.

Outro ponto importante são as ilustrações. Não tenho a envergadura de dona Luani, mas posso dizer sem medo de errar que Sempé é genial. Seus traços são simples, delicados e econômicos. Nada espalhafatoso ou ultra colorido. Pelo contrário. O francês usa poucas cores e quando as usa, é apenas para evidenciar aquele pequeno detalhe. No mais, predomina o cinza. Mas isso não torna nada depressivo ou pesado demais (talvez em seus quadrinhos, que muitas vezes falem da solidão em grandes cidades, a ideia seja reforçada através do desenho). Com a leveza do texto de Sempé, nada pode conspirar contra.

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