Jabuti – Biografias

Biografia é uma coisa complicada. A fórmula “personagem interessante + boa pesquisa” muitas vezes é realizada, mas aí falta um “pequeno” fator que faz toda a diferença: a forma de se contar essa história. Se ela não for feita de uma forma interessante, piriga-se a perder todo o trabalho anterior. Não pela falta de qualidade do trabalho, mas pelo público que ficará ainda mais restrito. Porque vamos combinar que é raro biografia estar entre a lista dos mais vendidos…

O que eu percebi na categoria Biografia do Jabuti é que muitos títulos utilizavam uma linguagem muito acadêmica, com muitas notas de rodapé. Não tenho nada contra isso, fique claro, mas convenhamos que a leitura não flui muito quando aparecem uma série de notas de rodapé (o que me irrita mais é quando, ao olhar para o fim da página, vejo só um “Idem” ou “Ibidem”!!!).


Mas vamos falar dos indicados desse ano… Acho que o grande favorito nesta categoria era Padre Cícero, de Lira Neto. O tijolão trata da ambiguidade do caráter desse personagem tão notável. Uma coisa que considero importante quando leio uma biografia, é o seu acervo de imagens. E o livro é cheio delas. É bacana poder ver os personagem, as paisagens descritas… Diferente da ficção, as paisagens e personagens existem/existiram, então, por que não mostrá-los. Acho fundamental. O texto ajuda bastante, bem escrito e gostoso de ler. No entanto, surpresa! Padre Cícero ficou em 2º lugar, junto com Euclides da Cunha – uma odisséia nos trópicos, de Frederic Amory.

O livro sobre Euclides da Cunha é bem diferente do de Padre Cícero… Amory é um professor inglês que estuda literatura brasileira. A pesquisa para a biografia é impecável, inclusive com bastante imagens. Mas aí quando vamos ler… Linguagem acadêmica, cheia de notas de rodapé (que eu adoro, mas não me considero muito normal…), inclusive com os irritantes Idens e Ibidens!!! O texto fica um pouco truncado… Uma pena.

Invertendo um pouco, vamos ao 1º lugar, Nem vem que não tem – A vida e o veneno de Wilson Simonal, de Ricardo Alexandre. O personagem é interessante, tem um conflito intrigante (era ou não informante da ditadura militar?) que é bem exporado, mas pende pro lado que acredita na inocência do autor. O autor realizou diversas entrevistas e tem um ótimo material de pesquisa. Vale a pena dar uma conferida.

O 3º lugar ficou com Bendito Maldito – uma biografia de Plínio Marcos, de Oswaldo Mendes. Esse livro tem uma linguagem mais leve. Talvez pelo fato de biografado e autor se conhecerem… O livro usa fotos e algumas frase para abrir cada capítulo, recurso simples, mas criativo. Alé disso, dentro dos capítulo exitem subdivisões, o que torna e leve.

Entre os outros concorrentes, destaco também Cabeza de vaca, de Paulo Markun. De longe é a história mais surreal entre os concorrentes. Quando tiver um tempinho, dê uma lidinha na contra capa dele. Vale a pena! Eu por muito tempo achei que era uma obra de ficção! (Prontofalei!) O texto é leve e objetiva.

Outra é Orquestra Tabajara de Severino Araújo, de Carlos Henrique Coraucci. O texto é gostoso de ler, e o assunto ajuda um pouco (pelo menos pra mim), pois fala da Era do Rádio, do Chatô (outra biografia que vale dar uma olhada!), porém acho que faltaram mais imagens. Essas biografias que atravessam décadas e falam sobre música popular, com certeza tem um vasto material pra contextualizar. Bacana que no fim do livro, o autor lista a discografia da Orquestra. Artifício comum em biografias de músicos, mas sempre eficiente.

Chiquinha Gonzaga, de Edinha Diniz, é uma edição comemorativa da biografia que inspirou a série da Rede Globo, agora com mais imagens. No entanto, é mais uma biografia que cai no problema da linguagem acadêmica. O texto nessa, diferente da do Euclides, é um pouco mais leve, com trechos das marchinha dessa personagem bastante interessante. O grande problema (eu sei que pode parecer frescura) é que as notas de rodapé estão no final do livro, em forma de glossário, o que emperra um pouco a leitura.

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