Flip – 2º dia

(perdões pelo atraso nos posts sobre a Flip. Mas as condições de internet não eram das mais avançadas. E eu dependia do teclado minúsculoe da boa vontade do sinal do celular para fazer qualquer coisa…)

O segundo dia de Flip foi um pouco mais calmo no início. Depois da oficina de perfis, que foi até 3 e meia, a proxima mesa seria sá às 5 da tarde.

Promessas de um velho mundo, com Azar Nafisi e A. B. Yeshua foi bastante interessante. Pouco se falou sobre as obras dos autores, o assunto principal foi a política de dois países em constante conflito. Yeshua, israelense e judeu, e pacifista e diz que a maioria dos israelenses e palestinos já concordam que o Estado deve ser dividido, mas que eles precisarão da ajuda da diplomacia dos EUA, da Europa e de Lula. Nafisi criticou fortemente o governo iraniano e comentou a declaração de Lula em razão da mulher que foi condenada ao apedrejamento por adultério. Nafisi disse que Lula não deveria tratar o presidente iraniano como amigo. (Lula disse recentemente que se o amigo iraniano estivesse incomodado com a mulher que cometeu o adultério, que a deixasse vir para o Brasil.) Nafisi foi irônica ao dizer que se o presidente iraniano resolvesse mandar ao Brasil todos iranianos que o incomadam, ela conta que 80% da população teria de vir
ao Brasil. Yeshua, então sugeriu que quem viesse ao Brasil como exilado fosse na verdade o próprio presidente. Todas as declaraçoes foram bastante aplaudidas.

Apesar de ter sido bastante interessante acompanhar a opinião dos autores sobre a política atual, achei que faltou um pouco mais de posicionamento sobre a questão dos dois povos que vivem em conflito. Achei que sobrou cordialidade entre os autores e faltou ao mediador (Moacyr Scliar) instigar mais a discussão.

Depois veio a mesa Em nome do filho, de Salman Rushdie. Para dizer a verdade, não gostei muito desse molde de mesa com apenas um autor. Fica parecendo um talk show… Apesar de Rushdie estar lançando seu livro Luka e o fogo da vida no Brasil antes de qualquer outro lugar, com certeza e um feito importante para a Flip. Porém achei que a entrevista se perdia um pouco em dados muito pessoais, deixando a literatura um pouco de lado.

Uma parte interessante foi quando Rushdie falou um pouco sobre como foi ser perseguido pelos muçulmanos depois de ter escrito Versos satânicos. “Não recomendo a ninguém escrever um livro e ser jurado de morte”.

Sobre o seu novo livro, Rushdie disse que o escreveu principalmente depois de seu filho Milan (que tem Luka como segundo nome) ler Haroun e o mar de historias (que foi feito em homenagem ao seu filho mais velho) e perguntar onde estava o livro dele. Rushdie, então retoma personagens de seu outro livro, porém coloca muitos elementos da vida atual de seu filho, como os videogames. Rushid também disse que gosta
muito de literatura latino americana e que alguns elementos de seu novo livro foram livremente baseados em Memorias postumas de Brás Cubas. O autor disse que quando leu Machado de Assis, achou genial, quando Cubas conta que escreve seu livro além túmulo, mas não contará nada sobre isso, pois é um processo complicado demais para se explicar. Foi daí que Rushdie se inspirou ao criar as Máquinas Complicadas demais de Luka e o fogo da vida.

Depois da palestra, a fila de autografos era gigante e Milan ficou o tempo todo ao lado do pai, como um assistente que entregava os livros às pessoas depois que o pai assinava. Também autografava Luka e o
fogo da vida para quem quisesse. Sorrindo para todos, Milan certamente foi o pequeno galã dessa Flip.

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