Flip – 1º Dia

Depois de 6 longas horas de viagem, finalmente chego em Paraty. Mas começar a explorar a cidad, somente no outro dia. Porque a FLIP começa mesmo na quarta, mas palestra do FHC  está longe de parecer um programa interessante.

Quinta-feira acordo o mais cedo que posso, para acompanhar minha primeira mesa, De frente para o crime, com Lionel Shriver e Patricia Melo. A mesa foi ótima, falava basicamente de escolhas (no amor, na vida profissional e, principalmente, no crime), as autoras acreditam que todos os seus personagens em algum momento tem de fazer essas escolhas. Ainda se falou sobre a banalização do crime, e Melo compartilhou com o público sua teoria sobre Kevin (do romance de Shriver Precisamos falar sobre Kevin). Ela acredita que existia uma inversão nos valores do garoto, que para tornar-se notável, como uma Madonna às avessas, cometeu seu crime. Foi a vontade de ser notado que o levou a isso. Shriver completou: “hoje em dia, muitos jovens acreditam que para serem notados, tirar A em seus boletins não é o suficiente. Eles precisam de uma arma para isso”. Fora isso, Shriver afirmou que cada um dos seus romances foi feito a partir de um dilema pessoal. Precisamos falar sobre Kevin, por exemplo, foi escrito quando a autora estava pensando se deveria ter filhos ou não. Depois do livro (ótimo, diga-se de passagem), acho que não precisamos adivinhar qual foi a sua decisão…

Depois de pegar autógrafo de Shriver e me perder num quarteirão de Paraty (que às vezes mais parece um labirinto), chego meia hora atrasada para a oficina literária com Julio
Villanueva Chang, que fala sobre perfis jornalísticos. Pretendo falar mais dela no futuro, mas por enquanto basta dizer que ela foi ótima e que na entrada dela recebi uma apostila gigantesca e bem pesada. A oficina acabou com meia hora de atraso, o que resultou no atraso da mesa Fábulas comtemporâneas, com os três autores nacionais: Reinaldo Moraes, Ronaldo Correa e Brito e Beatriz Bracher.

Mas a meia hora que vi dessa mesa bastou para eu a achar excelente. Os autores basicamente falaram da sua criação literária, como pensam um romance, os personagens e também como muitas vezes esse planejamento não vale de nada. Reinaldo Moraes pareceu ser o destaque dessa mesa por sua ótimas e engraçadas histórias. Mas todos os autores dessa mesa foram muito bem.

Depois de uma rápida pausa para o almoço, às 5 horas da tarde, fui para a fila de autógrafos de Isabel Allende, para conseguir um autógrafo para um amigo. A autora ainda falava e a fila para autógrafo era imensa. Definitivamente Allende foi a grande comoção da Flip até agora… Depois de enfrentar essa baita fila com muitas senhorinhas histéricas, finalmente joguei as toalhas… Ainda tinha Ingresso para ver a mesa O livro – capitulo 1, com Peter Burke e Robert Darnton, mas a mochila com 7 livros gritava nas minhas costas.

E resolvi encerrar meu primeiro dia de Flip.

By
Juliana Leuenroth

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